Akébia exótica no jardim português surpreende pelo perfume e pelos frutos comestíveis
A akébia-de-cinco-folíolos (Akebia quinata) é uma trepadeira invulgar, originária do Japão e da China, que aos poucos vai conquistando lugar também nos jardins. À primeira vista, chama a atenção pelas folhas delicadas, palmadas, formadas por cinco folíolos em pecíolos mais compridos. Ainda mais destaque, porém, vai para as suas flores de tom púrpura-escuro, com formato pouco habitual, e mais tarde para os frutos alongados, que podem lembrar pequenos pepinos. Em viveiros, pode encontrar também os nomes “vinho de chocolate” ou “banana de chocolate” – uma referência ao perfume adocicado e especiado das flores e ao sabor da polpa dos frutos.
A akébia adapta-se às condições do clima em Portugal
A boa notícia é que a akébia não é apenas uma raridade de estufa. Se estiver bem instalada, tolera geadas até cerca de -20 °C. Ainda assim, convém ter em conta que as plantas jovens são mais sensíveis: nos primeiros invernos, é melhor plantá-las num local abrigado e proteger o colo da raiz e a base dos rebentos com ramos de coníferas ou uma camada de cobertura morta. Em zonas mais frias, resulta muito bem junto a uma parede, que acumula calor durante o dia e, ao mesmo tempo, corta o vento seco.
Onde plantar e que tipo de solo precisa
A akébia desenvolve-se bem em solo de jardim comum, desde que não fique encharcado durante longos períodos. Prefere uma terra bem drenada e rica em húmus, mas não é excessivamente exigente. Quanto à luz, pode escolher sol ou meia-sombra. Ao sol, tende a florir e frutificar melhor; na meia-sombra, mantém um aspeto mais fresco durante os verões quentes. Depois de plantada, beneficia de regas regulares até enraizar; mais tarde, aguenta curtos períodos de seca, embora durante a floração e o vingamento dos frutos a humidade faça diferença.
Suporte, crescimento e uso na composição do jardim
Sendo uma trepadeira, a akébia precisa de um suporte definido. Pode conduzi-la numa rede de arame, pérgola, vedação ou ripas de madeira, às quais os rebentos se enrolam facilmente. Há quem a deixe subir para a copa de uma árvore, onde cria um véu verde muito decorativo. Se não tiver espaço em altura, também pode ser usada como planta de cobertura do solo, cobrindo com o tempo zonas menos bonitas e ajudando a segurar taludes. Tenha apenas em conta que, em boas condições, cresce com alguma rapidez e convém delimitar-lhe o espaço para não invadir o que deve ficar livre.
Floração, perfume e o segredo dos frutos
As flores surgem em maio, aproximadamente ao mesmo tempo que as folhas começam a brotar, e aparecem em cachos. É nessa altura que a akébia se mostra mais “exótica”: as flores são pequenas, mas de cor intensa e, muitas vezes, agradavelmente perfumadas. Se o seu objetivo for obter frutos, convém saber que para um bom vingamento costuma ser necessária a polinização cruzada (ou seja, ter pelo menos duas plantas geneticamente diferentes). Além disso, por vezes recomenda-se a polinização manual, sobretudo em primaveras mais frias, quando a atividade dos polinizadores é menor.
Quando amadurecem e como saber que estão prontos
Os frutos amadurecem mais frequentemente entre setembro e outubro. O fruto maduro abre-se longitudinalmente e revela uma polpa branca, gelatinosa, com muitas sementes negras e brilhantes. O sabor é suavemente doce e aromático e, embora não seja uma “fruta clássica” dos nossos jardins, é precisamente essa diferença que torna a akébia tão apelativa. Conte, no entanto, com a primeira frutificação sobretudo em plantas mais velhas: normalmente começa a produzir por volta do quinto ano.

Cuidados ao longo do ano: adubação sim, poda só com critério
Durante o período de crescimento, a akébia beneficia de adubação, idealmente até ao fim de agosto, para que os tecidos amadureçam bem antes do inverno. Não exige poda propriamente dita, mas encurtar ocasionalmente rebentos demasiado longos ou mal conduzidos ajuda a manter a forma e a entrada de luz no interior da vegetação. Se podar, faça-o de preferência após a floração ou no fim do inverno, e sempre pensando na direção em que quer orientar a planta.
Partes comestíveis e inspiração asiática
Na Ásia, a akébia tem também usos práticos. Os frutos comem-se frescos; a casca (pericarpo) é, em alguns locais, cozinhada; os rebentos jovens entram em pratos; e as folhas são usadas para preparar chá. Na tradição popular, associa-se ainda a usos medicinais, e os ramos flexíveis podem ser aproveitados de forma semelhante a outras lianas.
A akébia é uma escolha para jardineiros que querem uma trepadeira pouco exigente, com aspeto exótico, flores perfumadas e a possibilidade de frutos comestíveis mesmo num clima com invernos frios.
Para quem a akébia é ideal e a que deve estar atento
É indicada para quem tem pérgolas, vedações e treliças e quer criar rapidamente uma cortina verde, acrescentando ao mesmo tempo algo fora do comum ao jardim. Se vive numa zona propensa a geadas fortes ou num local ventoso, dê-lhe abrigo e proteção no inverno nos primeiros anos. E, se pretende colher frutos, compensa plantar mais do que um exemplar e contar com a influência do tempo na primavera. Em troca, terá uma trepadeira decorativa desde a folhagem às flores e até aos frutos outonais “tipo pepino”, sem exigir truques de jardinagem complicados.
Fonte: Zahrádkár, The Spruce, RHS, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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