Cultivar ervas aromáticas em condições de temperatura exigentes sem esforço desnecessário
Nem todos os jardins têm condições ideais para ervas aromáticas cheirosas e úteis. Em alguns, o solo fica escaldante e seca ao sol direto; noutros, o terreno é castigado por vento persistente. Há ainda quem tenha de lidar com longos períodos de chuva e elevada humidade. A boa notícia é que, para quase qualquer ambiente, existem espécies que vão gostar precisamente desse cenário. Em vez de desistir das aromáticas, basta escolher as que são naturalmente feitas para as condições que tem.
Ao escolher as ervas, compensa observar como o seu jardim se comporta ao longo da estação. Onde a água se acumula, que zona seca mais depressa, de onde sopra o vento com mais frequência e quando é que os canteiros recebem mais sol. Estes detalhes muitas vezes decidem se vai colher folhas aromáticas bonitas ou se vai andar a sofrer com plantas a definhar.
Local soalheiro e mais seco inspirado no Mediterrâneo
Se tem um local quente a pleno sol, onde o solo tende a secar rapidamente e o vento não é exceção, pode inspirar-se no estilo mediterrânico de cultivo. É precisamente nestas condições que prosperam as aromáticas que aguentam calor e alguma falta de humidade. Os representantes típicos são o alecrim, o tomilho e a alfazema. Adoram luz durante a maior parte do dia e precisam de um solo com boa drenagem.
Se, além disso, as colocar num sítio onde não sofram constantemente com a humidade do inverno e correntes de ar fortes, recompensam com aroma intenso e crescimento vigoroso. Ficam bem num canteiro de aromáticas clássico, numa rochária e também em vasos maiores, onde é fácil controlar a drenagem. Em condições semelhantes, até o sabugueiro (Sambucus nigra) pode surpreender: embora não seja considerado uma planta tipicamente mediterrânica, consegue lidar com locais mais exigentes e oferece flores e frutos valiosos.
Quando a secura é a regra e a chuva aparece raramente
Em zonas com longos períodos de verão sem precipitação, é prático optar por ervas diretamente adaptadas à seca. Muitas vezes reconhecem-se pelas folhas mais estreitas, rígidas ou prateadas, que reduzem a evaporação. Para além da alfazema e do alecrim, entram aqui o loureiro, os orégãos e algumas sálvias.
Depois de bem enraizadas, estas plantas conseguem viver com muito menos rega do que espécies de horta mais comuns. Mas há um ponto essencial: não toleram encharcamento. Por isso, é mais importante pensar em boa drenagem do que em regas frequentes. A seca de curta duração normalmente aguentam; já a água parada junto às raízes pode danificá-las rapidamente.

Zonas chuvosas e húmidas pedem outros favoritos
Se na sua zona chove mais do que gostaria, ou se o jardim se mantém húmido por longos períodos, escolha aromáticas que tolerem melhor a maior humidade do ar e precipitações repetidas. Funcionam bem a hortelã, a cidreira, a valeriana e o consólida-maior. Em geral, estas plantas não se importam com um solo ligeiramente húmido, desde que a água não fique muito tempo mesmo junto às raízes.
Por isso, mesmo em regiões chuvosas faz sentido tratar do escoamento do excesso de água. Quando o solo fica “sufocado” e as raízes permanecem em água, surgem podridões e as plantas enfraquecem. Ajuda elevar ligeiramente o canteiro ou escolher um solo que não seja pesado e compactado.
O vento como problema e também como elemento útil no jardim
Vento forte pode partir ervas mais delicadas, secar o solo e as folhas e, no geral, travar o crescimento. Em locais ventosos, vale a pena criar uma proteção natural, por exemplo com uma sebe ou outra barreira que atenue as rajadas. Ao mesmo tempo, há espécies mais resistentes para as quais o vento é uma complicação menor.
Alecrim, alfazema e tomilho lidam normalmente bem com a circulação de ar, sobretudo quando têm um solo bem drenado. Já o manjericão ou a hortelã preferem abrigo, onde não ficam expostos a rajadas fortes e à secagem rápida.
Adaptar a escolha das ervas ao jardim é o caminho mais simples
Muitas vezes é mais fácil escolher as ervas de acordo com as condições que já tem no jardim do que tentar mudá-lo à força.
Muitos cultivadores tentam ajustar o ambiente para servir as plantas dos sonhos. Na prática, porém, costuma ser mais eficaz fazer o inverso: aceitar a realidade do local e escolher espécies que se sintam naturalmente bem ali. Quando dá às aromáticas aquilo de que precisam, ficam mais resistentes, menos propensas a doenças e crescem de forma mais estável. O resultado é uma colheita mais abundante, menos trabalho e também uma abordagem mais cuidadosa com a água e o solo.
Fonte: Garener’s World, GrowVeg, Zahrádkár, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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