Cuidados de setembro com as hortênsias após a floração garantem arbustos fortes e muita flor no próximo ano
As hortênsias estão entre os arbustos ornamentais mais agradecidos, porque normalmente se contentam com cuidados básicos e, ainda assim, conseguem encher o jardim com flores grandes e vistosas. A floração costuma prolongar-se da primavera até ao fim do verão e início do outono, por isso setembro tende a ser a altura em que a planta se despede gradualmente da época principal. É precisamente então que faz sentido dar-lhe as últimas atenções, que apoiam a saúde do arbusto, a maturação dos tecidos e um bom arranque no ano seguinte. Se os cuidados de outono forem desvalorizados, a hortênsia rebenta na primavera, mas pode ficar mais fraca, mais sensível ao frio ou menos predisposta a formar flores.
Adubação de outono sem azoto
Durante a primavera e o verão, as hortênsias agradecem adubações regulares, porque a floração prolongada é energeticamente exigente. São especialmente adequados os adubos formulados para hortênsias, que costumam ter uma composição pensada para estimular a floração e, ao mesmo tempo, respeitar as exigências quanto à reação do solo. Em algumas espécies, a cor das flores pode alterar-se consoante o pH do solo: em ambiente mais ácido predominam tons mais azulados e, em solo mais alcalino, surgem com mais frequência tonalidades rosadas. Há quem, para ajustar o meio, use também materiais comuns, como a borra de café, que pode acidificar ligeiramente o solo.
Em setembro, porém, é importante cumprir uma regra. O adubo já não deve conter azoto, porque este estimula a formação de novos rebentos tenros. Esses crescimentos não têm tempo de endurecer antes do inverno e depois ficam mais sujeitos a danos pelo gelo. No fim da época, são mais indicadas misturas de outono com ênfase em elementos que favoreçam a maturação e a resistência. Nas hortênsias paniculadas, também é possível usar um adubo universal solúvel, mas é preciso confirmar precisamente o teor baixo ou nulo de azoto.
Poda após a floração, só com muita cautela
Depois de terminar a floração, é tentador cortar os arbustos de forma drástica, mas isso é um erro comum nas hortênsias. Quando a planta é podada demasiado baixo, ela volta a rebentar na primavera, porém pode vir a ter menos flores, ou até nenhuma, porque se removem as partes onde as inflorescências se formariam. Em setembro, por isso, compensa manter uma abordagem mais de manutenção e remover sobretudo as partes secas, danificadas ou as inflorescências já passadas. O arbusto fica mais leve, com aspeto mais arrumado e, ao mesmo tempo, preserva-se o potencial de floração para a próxima época.
Preparação para o inverno das hortênsias em canteiros

No fim de setembro ou no início de outubro chega a altura ideal para preparar a planta para o inverno, sobretudo em zonas onde o frio é prolongado e o solo congela em profundidade. Convém proteger o sistema radicular juntando composto bem decomposto à base e fazendo depois a cobertura. Como camada protetora pode usar-se cobertura morta (mulch) ou, por exemplo, folhas de faia, que ajudam a manter a temperatura mais estável e evitam oscilações bruscas de humidade. O objetivo não é “abafar” a planta, mas criar uma almofada isolante que atenue os impactos do tempo invernal.
Hortênsias jovens, que ainda não têm madeira robusta nem raízes mais profundas, geralmente precisam de mais atenção do que arbustos mais velhos e bem enraizados. Nesses casos, resulta bem cobrir a parte aérea com manta térmica branca (tecido não tecido). Esta proteção resguarda os ramos do frio intenso e do vento secante e, ao mesmo tempo, deixa o ar circular, minimizando o risco de abafamento.
Proteção de inverno das hortênsias cultivadas em vasos
As hortênsias em vaso são mais sensíveis no inverno, porque as raízes não têm a mesma proteção térmica que no solo. Assim que as folhas caírem, é aconselhável levar os vasos para um local fresco, mas sem risco de geada, como uma cave ou garagem. A temperatura ideal costuma situar-se aproximadamente entre 5 e 10 °C. Como se trata de um arbusto de folha caduca, no período de repouso vegetativo não precisa de luz durante o inverno. No entanto, é importante não esquecer as regas, ainda que moderadas. O substrato não deve secar por completo, mas também não pode ficar encharcado de forma permanente, porque a água parada favorece a podridão das raízes.
Assim que surgir novo crescimento na primavera, a planta regressa gradualmente à luz. Ao início, é melhor não a expor a sol direto e forte, para que os rebentos se adaptem e não haja queimaduras. Um inverno bem gerido em vaso e uma preparação sensata em setembro costumam refletir-se numa hortênsia que entra na nova época sem grande desgaste e com melhores condições para formar inflorescências densas e saudáveis.
O que reter dos cuidados de setembro
Setembro é, para as hortênsias, a transição entre a floração e o repouso de inverno. Vale a pena, por isso, planear a última adubação sem azoto, remover com delicadeza as flores passadas e proteger atempadamente as raízes do frio. Nas plantas em vaso, o mais importante é garantir um local de inverno seguro e controlar a rega. Quando estes passos se encadeiam, o arbusto não se esgota desnecessariamente antes do inverno e no próximo ano recompensa-o com vigor e uma floração mais abundante.
Fonte: BBC Gardeners World, Garden World App, Gardenino, Pestrazahrada.cz
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