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Como podar tomates corretamente para uma colheita farta sem rebentar rebentos à toa

July 11, 2026 · 5 min de leitura · Tomas Rohlena
Como podar tomates corretamente para uma colheita farta sem rebentar rebentos à toa
Sépulas em tomates / Foto: Depositphotos
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Nos tomates, repete-se muitas vezes a recomendação de que é obrigatório retirar os chamados rebentos ladrões, caso contrário a planta ficará fraca e a colheita será pequena. Na prática, porém, não existe uma receita universal. Depende da variedade, da duração da época, do tipo de tutoramento, do tempo e também do que espera da colheita. A poda pode ser útil sobretudo pela saúde da planta e por uma maturação mais uniforme, mas isso não significa automaticamente que tenha de eliminar todos os rebentos laterais.

O que é um rebento ladrão e porque aparece

O rebento ladrão é um rebento lateral que surge na axila da folha, ou seja, no ponto em que o pecíolo se liga ao caule principal. No início parece discreto, mas, se o deixar crescer, transforma-se pouco a pouco num ramo completo com folhas, flores e, mais tarde, frutos. Diz-se muitas vezes que estes rebentos “só cansam” a planta; na realidade, são uma parte natural do crescimento e representam também potencial de produção.

Frutos maiores ou mais frutos

A decisão sobre os rebentos ladrões é, no essencial, simples. Se os retirar, a planta fica com menos hastes e, portanto, com menos frutos, mas os nutrientes disponíveis concentram-se num número menor de tomates, que tendem a ficar maiores. Ao mesmo tempo, a folhagem fica mais aberta, melhora a circulação de ar e pode reduzir-se o risco de doenças fúngicas e a presença de pragas que gostam de moitas densas.

Se deixar os rebentos ladrões, formam-se mais hastes produtivas e a planta, em geral, emite mais flores. O resultado costuma ser um período de colheita mais longo e um maior número de frutos, muitas vezes menores. Não é nem bom nem mau, é apenas um tipo diferente de produção. Faz sentido escolher a opção que se ajusta à sua época de cultivo e ao facto de querer tomates grandes ou uma produção contínua de tomates mais pequenos.

Porque muitas vezes vale a pena deixar rebentos e ainda assim podar

Em zonas quentes com verão longo, deixar rebentos ladrões pode ser uma forma simples de conseguir muitos tomates doces, porque a planta tem tempo para produzir durante muito tempo. Em regiões mais frescas com época curta, a pressão para amadurecer a tempo é maior. Ainda assim, nem aí faz necessariamente sentido eliminar todos os rebentos e apostar tudo em poucos frutos grandes, que talvez não cheguem a amadurecer, ou que sejam danificados por doenças ou pragas. Muitas vezes é mais prático procurar um fornecimento estável de tomates e podar de forma seletiva: deixar algumas hastes pelos frutos e retirar outras pela saúde e pela energia da planta.

Primeiro, esclareça o tipo de tomate

Nas variedades de porte arbustivo, chamadas determinantes, normalmente não se recomenda uma desponta/desladroamento intenso. Estas plantas atingem uma altura limitada e fazem a maior parte da produção numa única vaga. Se lhes tirar rebentos de forma sistemática, pode reduzir a colheita.

Nos tomates de crescimento contínuo, indeterminantes (os “de estaca”), que crescem e frutificam até às geadas, a poda orientada é muito mais relevante. Ajuda a manter a planta organizada, mais fácil de atar e capaz de direcionar energia para a floração e a maturação dos frutos.

Passo 1 – Escolha de um ou dois caules principais

Logo após o transplante, escolha se vai conduzir a planta com um ou dois caules principais. Algumas mudas ramificam desde a base e oferecem mais do que um rebento vigoroso. A escolha deve corresponder ao tutor e à data de plantação. Uma gaiola robusta ou uma estrutura firme suporta dois caules, enquanto cordas, “escada” de tutoramento ou uma plantação tardia costumam funcionar melhor com um único eixo principal. Corte os caules extra na base com tesoura limpa e vá removendo os novos rebentos que surgem na parte inferior da planta.

Passo 2 – Remover folhas e ramos que tocam no solo

Tudo o que fica deitado no chão ou a tocar na terra é mais propenso a doenças e facilita a permanência de pragas. Por isso, faz sentido cortar as folhas inferiores e ramos pendentes, para melhorar a ventilação e reduzir doenças transmitidas pelo solo. Uma camada de cobertura morta (mulch) também ajuda, porque impede que a terra e os esporos salpiquem as folhas durante a rega ou a chuva.

Passo 3 – Poda abaixo do primeiro cacho de flores

Assim que surgir o primeiro cacho floral, elimine os rebentos e folhas abaixo dele. Dessa forma, “indica” à planta que deve direcionar energia para a floração e a frutificação, em vez de densificar desnecessariamente a parte inferior. As folhas são importantes para a fotossíntese, mas nos tomates de estaca muitas vezes basta manter um mínimo razoável que sustente a frutificação, sem transformar a planta num emaranhado impenetrável.

Passo 4  – Não corte rebentos automaticamente; corte os rebentos improdutivos

A cada duas ou três semanas, observe as plantas e retire os rebentos inferiores que não formam flores nem frutos. Aqui, a abordagem difere da regra comum de retirar todos os rebentos ladrões. O objetivo é reduzir as partes que apenas consomem água e nutrientes, mas não contribuem para a produção. Por vezes, isso significa deixar um rebento ladrão se ele já tiver flores e, em vez dele, remover um ramo lateral abaixo que ainda não está a produzir nada.

Ao mesmo tempo, corte folhas danificadas, amareladas ou suspeitas de doença. Essas partes já não ajudam a planta e podem ser fonte de infeção. É sensato descartá-las no lixo, e não no composto, se não tiver a certeza do estado sanitário do tomateiro.

Passo 5 – Despontar o topo antes das primeiras geadas

Duas a três semanas antes da primeira geada prevista, compensa travar o crescimento do caule principal. Corte a ponta acima das flores mais altas e retire as novas flores e os frutos verdes muito pequenos que já não terão tempo de crescer. A planta redireciona então a energia para amadurecer o que já está formado, em vez de produzir mais folhas e mais cachos com pouca hipótese de chegar a colheita.

Dá para exagerar e quando é melhor limitar a poda

Uma poda demasiado agressiva pode enfraquecer o tomateiro, porque menos área foliar significa menos energia para desenvolver os frutos. Além disso, em regiões com dias longos, quentes e muito soalheiros, as folhas protegem os tomates de escaldão solar, pelo que por vezes é melhor podar menos e deixar aos frutos uma sombra natural.

Plantas enfraquecidas podem lidar pior com o calor e tornar-se mais suscetíveis a doenças e pragas. Em algumas variedades, intervenções fortes podem também aumentar a ocorrência de frutos deformados. O melhor é procurar equilíbrio: manter folhas suficientes para vitalidade e proteção, mas retirar o que adensa em excesso, toca no solo ou, durante muito tempo, não forma flores. Na horta não há regras rígidas, há objetivos que define para si.

Fonte: Garden Betty, The Spruce, Pestrazahrada.cz

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Tomas Rohlena
Tomas Rohlena

Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.

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