Como cultivar pêssegos em regiões mais frias para ficarem doces e sumarentos
Os pêssegos cultivados em casa muitas vezes superam os frutos do supermercado no aroma e no sabor. Com um pouco de cuidado extra, recompensam com frutos sumarentos, delicados, doces e muito aromáticos. Existem muitas variedades, que diferem na cor da pele, do amarelo ao laranja e a tons avermelhados, e também na cor da polpa, que pode ser amarela, rosada ou quase branca. Uma diferença prática está também na facilidade de separar o caroço. Em alguns pêssegos ele fica bem preso à polpa; noutros, depois de cortar ao meio, sai facilmente, o que é mais prático para comer ao natural.
A época de maturação, conforme a variedade, vai de julho a setembro. No clima britânico destacam-se sobretudo as variedades mais resistentes e fiáveis, mas também por aqui é verdade que um bom local e a proteção das flores fazem uma grande diferença.
Pêssegos e nectarinas não são tão diferentes quanto parecem
As nectarinas são, basicamente, pêssegos de pele lisa. Do ponto de vista do cultivo, têm as mesmas exigências de solo, luz e rega, e o valor nutricional é semelhante. No entanto, os pessegueiros tendem a ser um pouco mais resistentes e, por isso, em zonas mais frias geralmente são mais fáceis de cultivar do que as nectarinas.
O local ideal para o pessegueiro e por que a parede é importante
Os pessegueiros desenvolvem-se melhor num local soalheiro, quente e abrigado, em solo fértil, sempre ligeiramente húmido, mas bem drenado. Uma grande vantagem é plantá-los junto a uma parede virada a sul ou a oeste, seja da casa ou de um muro. Isto porque os pessegueiros florescem muito cedo, muitas vezes já em março, e as flores podem ser facilmente danificadas por geadas tardias. A parede acumula calor durante o dia e liberta-o lentamente à noite, ajudando a suavizar as oscilações de temperatura.
Para condução junto à parede, a forma em leque é muito indicada, pois os ramos abrem para os lados e aproveitam ao máximo o calor irradiado. Uma alternativa é um pessegueiro anão num vaso espaçoso, que pode ser deslocado no inverno ou quando há risco de geada para um local abrigado do vento ou sob um alpendre. Outra opção é uma estufa não aquecida, onde a árvore pode crescer permanentemente no solo ou em vaso, conforme queira ter a possibilidade de a mover.

Como plantar corretamente o pessegueiro no solo e no vaso
As árvores de raiz nua plantam-se durante o repouso vegetativo, idealmente de novembro a março, num dia ameno e sem geada. As plantas em contentor podem ser plantadas quase em qualquer altura, mas vale a pena evitar solo congelado, calor extremo e períodos longos de seca.
Antes de plantar, incorpore no solo composto bem maturado ou estrume bem curtido. Em solos pesados e argilosos, é essencial melhorar o escoamento da água, por exemplo com uma camada de drenagem no fundo da cova. Plante a árvore de modo que a parte superior do torrão fique ao nível do terreno circundante. Se for junto a uma parede, deixe o tronco a pelo menos 20 cm de distância para ter espaço e não sofrer com a secura junto às fundações. Prepare previamente um sistema de arames de suporte, aos quais irá atar gradualmente os novos rebentos.
Para cultivo em vaso, escolha um recipiente com pelo menos 45 cm de diâmetro. No fundo, é útil colocar uma camada de gravilha fina para estabilidade e melhor drenagem. Use um substrato de qualidade com alguma fração argilosa, para reter bem a humidade e os nutrientes. Coloque novamente o torrão à mesma altura em que estava antes e deixe espaço abaixo da borda do vaso para facilitar a rega. Após plantar, regue bem e deixe o excesso de água escorrer.
Cuidados ao longo do ano, rega, adubação e proteção das flores
Durante a época de crescimento, regue regularmente, porque a falta de água se reflete rapidamente no tamanho e na qualidade dos frutos. Uma vez por ano, aplique uma cobertura (mulch) de composto ou estrume bem curtido, na primavera ou no outono. O mulch melhora a estrutura do solo, ajuda a manter a humidade e limita o crescimento de ervas espontâneas.
O período mais sensível chega durante a floração. As flores podem ser danificadas até por uma geada fraca; por isso, em noites frias, proteja-as com duas a três camadas de manta térmica (têxtil não tecido) ou serapilheira. As plantas em vaso são mais seguras se forem levadas para debaixo de um abrigo ou para um local fresco, mas sem geada.
Acontece que os pessegueiros florescem antes de haver polinizadores ativos em quantidade suficiente. Nessa situação, pode ajudar a polinização manual com um pincel macio, transferindo pólen entre as flores. Quando os frutinhos atingirem aproximadamente o tamanho de uma cereja, convém desbastá-los para que em cada conjunto fique apenas um fruto. Assim, a árvore concentra energia num número menor de pêssegos, que ficarão maiores e de melhor qualidade. Na fase em que os frutos crescem rapidamente, uma adubação semanal com fertilizante líquido rico em potássio, por exemplo um adubo para tomateiro, ajuda bastante.
A poda do pessegueiro após a colheita decide a produção do ano seguinte
A poda faz-se no fim do verão, depois da colheita. Os pessegueiros formam flores e frutos em ramos do ano, por isso o objetivo é renovar regularmente a madeira jovem. As partes mais velhas que já frutificaram encurtam-se para estimular um novo rebento que as substitua. O ramo frutífero costuma ser cortado até ao ponto onde já esteja a nascer um rebento novo e saudável; depois, esse rebento é atado e conduzido na forma pretendida, por exemplo em leque junto à parede.
Quando colher e como reconhecer um pêssego maduro
Os pêssegos estão prontos para a colheita quando apresentam cor plena e cedem ligeiramente ao toque. Um fruto no ponto deve soltar-se do ramo com uma leve torção, sem puxar nem forçar. A colheita demasiado precoce costuma resultar em pior sabor e aroma mais fraco.

Armazenamento e aproveitamento para evitar amolgadelas
Os pêssegos amolgam-se facilmente e não gostam de armazenamento prolongado, por isso o melhor é consumi-los o quanto antes após a colheita. Se tiver muita produção, pode congelar os frutos. Depois de descongelados, costumam ficar mais macios, sendo mais indicados para preparações cozinhadas, como tartes, compotas ou molhos.
As pragas e doenças mais comuns e como lidar com elas
Como a maioria das fruteiras de caroço, os pessegueiros podem sofrer com alguns problemas típicos. Muito conhecida é a lepra do pessegueiro, que provoca folhas encarquilhadas, engrossadas e deformadas, que mais tarde caem. A árvore enfraquece e frutifica pior. É uma doença fúngica que se dissemina sobretudo no fim do inverno e na primavera, durante períodos chuvosos, quando a infeção chega à planta por salpicos de água. Ajuda reduzir a molhagem dos ramos; em árvores em vaso, é eficaz levá-las para debaixo de uma cobertura e, em plantações no exterior, fazer uma proteção temporária contra a chuva.
Outro risco é a prateamento das folhas, uma doença que entra na madeira através de feridas de poda ou danos. Reconhece-se pelo brilho prateado das folhas e pela morte gradual dos ramos. Os ramos afetados devem ser removidos de imediato e as ferramentas desinfetadas após o corte, para evitar que a infeção se espalhe. Também pode ocorrer cancro bacteriano, que se manifesta por manchas ou pequenos orifícios nas folhas, secagem dos rebentos e áreas deprimidas e mortas na casca. Aqui também é importante remover as partes atacadas e manter a higiene do equipamento.
Entre as pragas, podem surgir pulgões, mas muitas vezes têm inimigos naturais suficientes, como aves ou vespas, e por isso só compensa intervir em caso de infestação forte. Em estufa, o pessegueiro pode ser atacado por ácaros, que preferem ar seco; aumentar a humidade com pulverizações regulares ajuda.
O que considerar ao comprar a árvore para facilitar o cultivo
A maioria dos pessegueiros é autofértil, portanto normalmente não precisa de uma segunda árvore para polinização. Muitas vezes são vendidos enxertados num porta-enxerto que limita o vigor e mantém a árvore mais compacta, o que facilita o cultivo junto à parede e a condução em leque. Se quiser cultivar em vaso, procure variedades anãs.
As árvores de raiz nua costumam ser mais baratas, mas só se vendem no período de dormência, do outono ao início da primavera. As árvores em contentor podem ser compradas e plantadas de forma mais flexível. Em viveiros frutícolas, por vezes existem também leques parcialmente formados, com dois a três anos, que são mais caros, mas poupam trabalho de condução.
Variedades que vale a pena considerar
Entre as mais populares está a Avalon Pride, apreciada pela maior resistência à lepra do pessegueiro e frequentemente mencionada também pela melhor tolerância às geadas primaveris. Floresce em rosa e os frutos amadurecem, em geral, a partir do início de agosto.
A Peregrine é considerada uma das mais fiáveis para cultivo em regiões mais frias. Tem flores rosadas e pode dar uma colheita generosa de frutos saborosos, com rubor vermelho e polpa clara, geralmente em meados de agosto, sendo também referida uma boa resistência ao oídio.
Para cultivo ao ar livre, recomenda-se frequentemente também a Rochester. Floresce mais tarde do que muitos outros pessegueiros, escapando assim mais vezes às geadas tardias, e depois produz frutos grandes e sumarentos, de polpa amarela, a partir de agosto.
Fonte: Gardeners World, Rhs , Pestrazahrada.cz
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