Como armazenar corretamente os legumes da horta para durarem todo o inverno
Com a chegada das noites mais frias, é tempo não só de colher, mas também de pensar onde e como guardar a colheita. Não se trata apenas de pôr os legumes na cave ou no frigorífico. Cada espécie tem exigências diferentes de temperatura e humidade do ar, e é precisamente a combinação certa que muitas vezes decide se aguentam semanas ou meses. Além disso, nas casas modernas costuma faltar um espaço ideal como a clássica cave subterrânea, por isso é preciso procurar compromissos e adaptar a isso também o que cultivamos e em que quantidade.
Temperatura e humidade são duas variáveis-chave
A maioria dos legumes armazenados, surpreendentemente, conserva-se melhor a temperaturas muito baixas, por volta de 0 a 3 °C. Isto favorece sobretudo as hortícolas de raiz e as batatas. Mas existem exceções importantes. A batata-doce precisa de condições bem mais quentes, aproximadamente 13 a 16 °C. As abóboras e as curcubitáceas de inverno, depois de bem curadas, guardam-se em torno de 10 a 13 °C.
Igualmente importante é a humidade. As raízes e as batatas preferem um ambiente húmido, até perto de 90% de humidade relativa, caso contrário desidratam e murcham. Pelo contrário, alho, cebola e também as abóboras de inverno sofrem com humidade elevada, ganham bolor com mais facilidade e conservam-se pior. Um frigorífico doméstico costuma ser frio e mais seco, o que favorece algumas culturas e prejudica outras; por isso, é bom contar com isso desde o início.
Princípios de colheita que prolongam a durabilidade
Para armazenamento, o ideal é colher no ponto certo de maturação. Exemplares pouco desenvolvidos estragam-se ou perdem qualidade mais cedo; os demasiado maduros tendem a ser mais moles e mais suscetíveis a doenças. Se as condições permitirem, compensa adiar a colheita, mas não à custa de danos, apodrecimento ou ataques de pragas. As hortícolas de raiz muitas vezes aguentam mais tempo na terra; couve-galega, couve crespa, folhas de couve-rábano ou couve-de-bruxelas suportam mesmo várias noites com geada.
Na colheita, a delicadeza é essencial. Peças pisadas, cortadas ou de alguma forma danificadas devem ser separadas para consumo rápido. Até uma ferida pequena é uma porta de entrada para a podridão. Também é verdade que parte da colheita não é indicada para armazenamento prolongado, mesmo estando ótima. Um exemplo típico são o tomate e o pimento, em que muitas vezes é mais sensato optar por congelar, conservar em frascos ou cozinhar para molhos ou misturas assadas que congelam bem.
Sem a variedade certa, não dá
A duração do armazenamento depende muito da genética, ou seja, da escolha da variedade. Algumas cebolas são excelentes para consumo rápido, mas não resultam como reserva de inverno, enquanto outras foram selecionadas como tipos duros e próprios para conservação. Nas curcubitáceas de inverno, em geral, as que melhor se aguentam são muitas variedades de abóbora de fruto grande que, bem curadas, duram bastante tempo. Já as curgetes de verão simplesmente não se transformam numa reserva de inverno, por melhor que sejam as condições de armazenamento. Por isso, ao comprar sementes, é útil olhar não só para o sabor e a produtividade, mas também para a indicação de capacidade de conservação.
Abóboras e curcubitáceas de inverno precisam primeiro de ser curadas
Nas abóboras e curcubitáceas de inverno, em geral, colhe-se quando o pedúnculo começa a ficar corticoso ou lenhoso e a casca está dura e muitas vezes menos brilhante. Convém cortar os frutos de modo a manter o pedúnculo o mais intacto possível, porque danos nessa zona encurtam a durabilidade. Peças ligeiramente verdes ainda podem amadurecer fora da planta, mas não devem ficar sem pedúnculo; também se pode deixar um pequeno troço de ramo como proteção extra.
Um passo essencial é a chamada cura, isto é, secagem e maturação num local quente, seco e bem ventilado, a cerca de 24 a 29 °C, durante uma a duas semanas. Este passo melhora muito a conservação, porque a casca endurece e pequenos danos superficiais cicatrizam melhor. Depois da cura, os frutos já não toleram arrefecimento abaixo de aproximadamente 10 °C, por isso é preciso garantir que o local de armazenamento não fica demasiado frio.

As hortícolas de raiz duram mais se ficarem o máximo possível na terra
Cenoura, beterraba, nabo, rutabaga, pastinaca ou couve-nabo podem ficar no canteiro durante muito tempo se o tempo ajudar. Se a superfície for coberta com palha ou folhas, o solo isola o suficiente para permitir colheitas faseadas mesmo na parte final da época. No entanto, quando for preciso arrancar as raízes, convém encurtar as folhas, mas sem cortar a parte superior da raiz, para não abrir desnecessariamente caminho à podridão. Além disso, as folhas de algumas espécies podem ser aproveitadas na cozinha, por exemplo as folhas da beterraba ou do nabo.
Em casa, as hortícolas de raiz costumam ser guardadas nas gavetas do frigorífico. Não é o ideal por causa da humidade mais baixa, mas quando as opções são limitadas costuma ser a melhor solução disponível. Ajuda a manter os legumes limpos, frescos e relativamente estáveis, embora seja preciso contar com a possibilidade de algumas peças perderem firmeza com o tempo.
As batatas querem calma, escuridão e um período de transição correto
É preferível colher as batatas só depois de a rama secar. Depois de levantadas, não se colocam logo num local muito frio: primeiro deixam-se cerca de duas semanas para cicatrizar e secar a uma temperatura em torno de 10 a 16 °C, idealmente no escuro, para evitar que fiquem verdes. Só depois se transferem para um ambiente mais fresco e húmido, aproximadamente a 4 °C ou um pouco menos. Alguns produtores, após a cura, embrulham cada tubérculo em papel, reduzindo a propagação de eventual podridão entre as batatas.
Se as batatas começarem a rebentar, é sinal de que o local está demasiado quente. Nessa altura, ajuda baixar a temperatura e verificar se os tubérculos não estão expostos à luz.

A batata-doce é mais exigente, mas a cura ajuda muito
A batata-doce conserva-se pior do que a batata comum, sobretudo em regiões mais frescas, onde os tubérculos muitas vezes não atingem uma qualidade ideal para armazenar. Ainda assim, a durabilidade pode ser melhorada com a cura pós-colheita. Recomenda-se cerca de 5 a 10 dias a uma temperatura em torno de 27 °C e com humidade alta, aproximadamente 80 a 90%. Nesse período, a pele endurece, pequenas feridas cicatrizam melhor e parte dos amidos transforma-se em açúcares, deixando a batata-doce mais doce. Depois, guarda-se num ambiente a cerca de 13 a 16 °C.
Cebola e alho precisam de seco e circulação de ar
No alho e na cebola, o mais importante é uma boa secagem depois da colheita. As cabeças e as cebolas deixam-se durante várias semanas à sombra, num local seco e quente, com boa ventilação. Sol direto não é indicado, porque pode aquecer em excesso e piorar a qualidade. Só depois de bem secos se encurtam as raízes e a rama e se guarda tudo num local mais fresco, escuro e arejado.
Uma parte do alho e da cebola também pode ser congelada para uso posterior, o que é prático sobretudo quando as peças armazenadas começarem a rebentar e a perder qualidade.

Ervas aromáticas e outras culturas: decida conforme as condições de casa
Ervas aromáticas são problemáticas para conservação prolongada em fresco, mas o congelamento funciona muito bem em várias formas. Para outros tipos de legumes, o melhor é respeitar as suas exigências de frio e humidade e, ao mesmo tempo, considerar de forma realista que espaços tem disponíveis. Quando se consegue conciliar o momento certo da colheita, o manuseamento cuidadoso, a variedade adequada e condições razoáveis de armazenamento, a produção da horta consegue abastecer a cozinha por muito mais tempo do que parece à primeira vista.
Fonte: A Way To Garden, Grow Veg , Pestrazahrada.cz
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