Proteja os damasqueiros das geadas, a poda de verão atrasa a floração e pode salvar a colheita
Os damasqueiros estão entre as fruteiras que, após a plantação, crescem muito depressa. A copa adensa facilmente, o interior fica pior iluminado e os ramos mais velhos tendem a ficar progressivamente despidos. O resultado costuma ser menos raminhos frutíferos, pior formação de flores e, por vezes, uma colheita irregular. Ao mesmo tempo, os damasqueiros são sensíveis às oscilações do tempo, sobretudo às geadas tardias da primavera, que conseguem queimar a maior parte das flores numa única noite.
É precisamente por isso que, na prática, se utiliza um procedimento conhecido como poda de Šitt. Não é um seguro milagroso contra a geada, mas uma forma inteligente de atrasar ligeiramente parte da floração e, ao mesmo tempo, estimular a formação de madeira frutífera de qualidade.
O principal benefício da poda de Šitt é um período de floração mais longo
A base do método está em que, depois de encurtar alguns rebentos jovens selecionados, a árvore forma rebentos secundários. É nesses rebentos que se formam os botões florais, que normalmente abrem cerca de cinco a seis dias mais tarde do que os botões dos rebentos originais. Esta diferença pode ser decisiva em anos em que o frio regressa na primavera, porque, por vezes, bastam mais uns dias para que a fase mais sensível da floração não coincida exatamente com o período de geadas.
A proteção contra a geada não é garantida todos os anos, o tempo é sempre diferente. Mas, como experiência, faz sentido e pode ajudar sobretudo nas variedades mais tardias.
Outra vantagem é que se corta apenas madeira jovem, pelo que não se criam feridas grandes nas partes mais velhas da árvore. Nos damasqueiros isto é importante não só pela cicatrização, mas também pela vitalidade geral.
Quando fazer a poda de Šitt para que tenha efeito
O mais recomendado é fazê-la imediatamente antes da segunda vaga de crescimento, ou seja, do fim de maio ao início de junho. Em zonas mais quentes ou em anos em que a vegetação arranca cedo, é possível começar logo após meados de maio. Em árvores jovens e muito vigorosas, a intervenção por vezes é adiada até à primeira metade de junho.
Mais importante do que o calendário, porém, é o estado dos rebentos. O ideal são rebentos do ano com cerca de 20 a 30 cm de comprimento, ainda verdes, mas que na base já começam a amadurecer e a lignificar. É nesta fase que a árvore costuma reagir ao encurtamento com a emissão de rebentos secundários vigorosos.
Como proceder passo a passo sem erros desnecessários
Escolha na árvore rebentos anuais mais fortes, idealmente onde precisa de abrir a copa e, ao mesmo tempo, incentivar nova vegetação frutífera. Encurte esses rebentos em cerca de metade, ou até dois terços do seu comprimento. Assim estimula a rebentação de novos rebentos secundários, que muitas vezes crescem com um ângulo mais favorável e integram-se melhor na estrutura da copa.
É precisamente nesses rebentos secundários que depois se forma uma grande quantidade de botões florais. Na época seguinte, ou mesmo ainda durante o verão, selecione os novos rebentos mais adequados e elimine os restantes, para que a árvore não adense em excesso e a energia seja direcionada para ramos frutíferos de qualidade.
A poda de verão é mais suave para os damasqueiros do que intervenções no fim do inverno
Nos damasqueiros, alerta-se frequentemente para o risco de gomose, que pode surgir após uma poda mal calendarizada, especialmente quando se poda demasiado cedo e com tempo frio no fim do inverno. A poda de Šitt faz-se em período de crescimento ativo, quando a árvore, em regra, regenera melhor. É também por isso que esta abordagem de verão é considerada, nos damasqueiros, uma opção mais segura e prática.
Não só nos damasqueiros, a técnica também funciona noutros casos
Embora a poda de Šitt seja mais frequentemente associada aos damasqueiros, também tem aplicação noutras fruteiras de caroço. Pode dar bons resultados em pessegueiros e nectarinas, mas também em ameixeiras, incluindo rainhas-claúdias, em cerejeiras ácidas (ginjeiras) e em cerejeiras doces. Ainda assim, a resposta da árvore depende sempre da variedade, do vigor, da nutrição e do padrão meteorológico, por isso é sensato testar a técnica primeiro numa parte da copa e comparar o resultado nos anos seguintes.
Fonte: RHS, Priority Trees, Zahrádkár, Pestrazahrada.cz
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