Porque as folhas do alho ficam amarelas e como reconhecer a hora certa de colher
O cultivo do alho leva muitos meses. Plantou os dentes no outono, as plantas passaram o inverno e as oscilações da primavera e, no início do verão, aproxima-se o momento decisivo. É precisamente nessa altura que muitos cultivadores reparam que as folhas começam a amarelecer e a secar rapidamente. Nem sempre é um problema. Muitas vezes é um sinal natural de que o alho, debaixo da terra, está a concluir o desenvolvimento e a concentrar as reservas na cabeça.
Se deixar passar esse momento, o risco aumenta literalmente de dia para dia. As cabeças demasiado maduras começam a desfazer-se no solo, os dentes separam-se, as camadas protetoras desaparecem e a colheita fica mais vulnerável a podridões e fungos. Por isso, é importante distinguir quando o amarelecimento ainda é normal e quando já é um aviso de que é preciso agir.
Quando o amarelecimento é normal e quando indica problemas
Se as folhas amarelecem já na primavera, tipicamente em abril ou maio, a causa costuma ser o solo esgotado após o inverno, sobretudo por falta de azoto, ou então uma reação a geadas tardias junto ao solo. Nessa fase, uma adubação moderada e regas adequadas podem ajudar.
No final de junho, porém, a situação muda. A planta fecha naturalmente o ciclo vegetativo, vai reduzindo a produção de clorofila e transfere os restantes nutrientes e açúcares da parte aérea para a cabeça. Um bom indicador prático é o estado das folhas. Cerca de um terço a metade da folhagem fica amarela ou seca, geralmente as folhas inferiores, enquanto as três a quatro folhas superiores ainda mantêm algum verde. Este é, em regra, o primeiro sinal fiável de que a colheita está próxima.
Folhas e película protetora da cabeça estão mais ligadas do que parece
No alho vale uma regra simples. Cada folha corresponde a uma camada de proteção na cabeça. Quando uma folha morre, a película protetora que envolve os dentes também vai perdendo qualidade. Se secarem ou apodrecerem demasiadas folhas, a cabeça perde a proteção, os dentes ficam expostos e, em solos mais húmidos, apanha facilmente doenças fúngicas. Por isso mesmo, não compensa esperar até a rama estar completamente seca.
A variedade manda: alho de haste floral e alho sem haste amadurecem de forma diferente
O alho de haste floral reconhece-se pela haste rígida
As variedades com haste floral formam, no centro da rama, uma haste floral dura, terminada por uma cápsula. A maioria dos cultivadores remove essas hastes para que a planta não desvie energia para a floração, mas sim para a cabeça. Ainda assim, vale a pena deixar algumas plantas intactas. São os melhores indicadores de maturação.
Durante o crescimento, a haste enrola-se em espiral. Quando se endireita e começa a apontar para cima, o alho costuma estar pronto para colher. Se, além disso, a cápsula se abrir e aparecerem os bolbilhos, é altura de não adiar e colher o mais depressa possível.
O alho sem haste dá sinal quando se deita
As variedades sem haste floral não formam uma haste dura e têm a rama mais macia. São muitas vezes apreciadas por conservarem melhor. Como não têm um eixo firme, a maturação manifesta-se de forma mecânica. O “pescoço” logo acima do solo amolece, a rama perde rigidez e começa a deitar-se em massa. Quando cerca de metade do canteiro se deita, normalmente é o momento certo para arrancar.
O teste com a pá decide sem riscos desnecessários
Se estiver em dúvida, faça um teste simples. Escolha uma planta média e levante-a com cuidado com uma pá ou um garfo de escavar. Nunca puxe o alho com força pela rama: pode partir o pescoço e danificar a cabeça. Limpe a terra com a mão enluvada e verifique a película e o formato.
Uma cabeça ainda verde costuma ser mais lisa, arredondada, com películas grossas e carnudas; os dentes não ficam muito marcados. O alho no ponto certo tem estrutura bem definida: os dentes estão firmes e juntos, mas claramente separados por linhas visíveis, e as camadas externas são finas e secas. O alho passado do ponto reconhece-se pelas películas a desfazerem-se e pelos dentes que se separam sozinhos no solo; nesse caso, é melhor consumir depressa e não contar com armazenamento prolongado.
Erros mais comuns na colheita que encurtam a conservação
O primeiro erro é colher com o solo molhado. Depois da chuva, a lama cola-se às películas, as cabeças absorvem água e, durante a secagem, o risco de fungos aumenta muito. O segundo erro é bater as cabeças de forma brusca na pá, na bota ou umas nas outras. Surgem pequenas contusões que mais tarde evoluem para podridão. É melhor remover a terra suavemente com a mão. O terceiro erro frequente é cortar a rama e as raízes logo após arrancar. Na rama ainda há seiva que, nos primeiros dias de secagem, migra naturalmente para a cabeça e ajuda-a a terminar de amadurecer e a “fechar” bem.
Secagem correta: sombra e circulação de ar são essenciais
Depois da colheita, seque o alho com a rama, num local seco, ventilado e à sombra. Um alpendre, um anexo bem arejado, um celeiro ou caixas colocadas de modo a permitir circulação de ar à volta funcionam bem. O sol direto é arriscado: as cabeças podem sobreaquecer, as películas escurecem e os dentes perdem qualidade.
Deixe secar durante cerca de três a quatro semanas, até a rama ficar totalmente quebradiça e seca. Só então corte a rama a cerca de três a cinco centímetros acima da cabeça, encurte as raízes para cerca de um centímetro e guarde o alho num local escuro, fresco e seco, onde se conserva por mais tempo.
Fonte: Gardener’s World, Urob si sám, Pestrazahrada.cz
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