Plantar tomates deitados pode ajudar, mas às vezes reduz a produção
Entre os jardineiros, passa-se muitas vezes o conselho de que, ao transplantar, se colocar a muda de tomate inclinada ou mesmo totalmente deitada, vai colher mais frutos. Esta técnica é por vezes chamada de plantação em vala, porque se abre um rego raso onde se deita parte do caule e se cobre com terra. Em determinadas condições, isto pode realmente funcionar; porém, a mesma solução pode não ser vantajosa para todos os jardins, solos ou durações de estação.
O ponto-chave é que os tomates precisam, após o transplante, de tempo suficiente com clima favorável para primeiro ganharem força, depois emitirem flores e, em seguida, os frutos ainda conseguirem amadurecer. Em geral, fala-se em cerca de 60 dias desde o transplante até à primeira colheita, mas, na prática, isso pode variar conforme a variedade e conforme a estabilidade das temperaturas durante o dia e à noite.
Qual é o princípio do método em vala
Os tomates têm a capacidade de formar as chamadas raízes adventícias, ou seja, raízes que surgem também em partes da planta que originalmente não são raízes. No caule do tomate, pode notar pequenas saliências das quais, ao contacto com solo húmido, se formam facilmente novas raizinhas. Ao cobrir uma parte maior do caule na plantação, em teoria estará a incentivar a formação de um sistema radicular maior.
Faz sentido sobretudo quando a planta tem tempo para tirar proveito desse investimento. Primeiro, as novas raízes precisam realmente de crescer; só depois a planta pode concentrar-se a sério na floração e na formação dos frutos.
Principais benefícios de plantar deitado
Sistema radicular mais rápido e mais robusto na camada quente do solo
Na plantação em vala, o caule costuma ficar na camada superior do solo, que aquece mais depressa. Em terra mais quente, as raízes adventícias tendem a formar-se com mais facilidade do que nas camadas profundas e mais frias. Um sistema radicular mais forte melhora o acesso à água e ajuda a planta a gerir melhor a humidade, o que é fundamental para tomates no verão.
Maior estabilidade com vento e trovoadas
Raízes mais espalhadas podem funcionar como uma âncora mais eficaz. Em zonas onde, na primavera ou no início do verão, alternam dias ventosos e aguaceiros fortes, um enraizamento mais robusto pode ser uma vantagem. Nas variedades de crescimento indeterminado, isto naturalmente não substitui a tutoragem, mas a planta tende a ficar mais firme no solo e a tombar menos.
Potencial para produções mais elevadas
Quando o tomate tem mais raízes, em geral absorve melhor nutrientes e água. Isso pode refletir-se em mais flores e, posteriormente, mais frutos. No entanto, este efeito aparece mais frequentemente onde a estação é suficientemente longa e as temperaturas são estáveis e favoráveis, para que a planta consiga formar raízes e ainda produzir por bastante tempo.
Quando plantar deitado pode, pelo contrário, reduzir a colheita
A planta investe tempo em raízes, mas já não consegue terminar os frutos
O maior senão do método em vala é o tempo. Criar mais massa radicular tem um custo, não só de energia, mas também de dias a semanas de crescimento. Se planta numa região onde tem apenas um período curto realmente adequado para tomateiros, pode acontecer que a planta use grande parte da estação a construir raízes e só comece mais tarde a pegar fruto e a amadurecer. O resultado pode ser uma colheita menor, mesmo que a planta pareça forte e muito verde.
Estação curta e noites frias são um risco para o método em vala
A época do tomate não é apenas uma data no calendário, mas o período em que as temperaturas diurnas são agradavelmente quentes e as noites não descem demasiado. Assim que as noites ficam frias, o crescimento trava e a maturação desacelera. Se, após o transplante, lhe resta apenas aproximadamente o período mínimo necessário até à colheita, pode ser mais sensato optar por um método que não atrase a planta com enraizamento extra.
Um método que traz vantagem numa estação longa pode, numa estação curta, significar atraso e menos frutos maduros até ao fim do verão.

Alternativas que fazem sentido em diferentes condições
Plantação mais funda, em pé
Um compromisso pode ser plantar a muda mais fundo, na posição vertical. Retiram-se as folhas inferiores e cobre-se uma parte do caule com terra, para que também aí possam surgir raízes adventícias. Em comparação com plantar deitado, normalmente manipula-se menos a planta inteira e, ao mesmo tempo, muitas vezes não se perde tanto tempo, porque a planta entra mais depressa no ritmo normal de crescimento.
Plantação à mesma profundidade do vaso
Se não tem a certeza de quantas semanas quentes ainda lhe restam, a opção mais simples é plantar o tomate da mesma forma que crescia no alvéolo ou no vaso. Com bons cuidados, rega regular, adubação adequada e uma tutoragem estável, pode obter uma colheita muito satisfatória mesmo sem truques especiais. Este método é muitas vezes o mais seguro onde o tempo muda depressa e o tempo para experiências é limitado.
Como decidir conforme o seu jardim
Antes de se entusiasmar com a plantação deitada, avalie qual é o seu maior limite. Se tem um verão longo, o solo aquece rapidamente e, em geral, consegue colher tomates por bastante tempo na estação, a plantação em vala pode trazer uma melhoria perceptível no enraizamento e, com isso, na vitalidade geral. Mas, se cultiva numa zona com verão mais curto, noites frias tardias, ou se muitas vezes começa a plantar mais tarde, pode ser mais importante um arranque rápido para florir e frutificar.
Uma regra prática é: quanto menos tempo lhe resta até ao fim das temperaturas adequadas, mais cautela deve ter com métodos que obrigam a planta a construir primeiro raízes extra.
O que levar daqui
Plantar tomates deitados pode ser uma técnica útil, mas não é universal. Numa estação longa, ajuda a criar um sistema radicular mais amplo, melhora a estabilidade e pode contribuir para uma produção mais elevada. Numa estação curta, no entanto, o mesmo procedimento pode atrasar o tomateiro, porque a energia vai para as raízes numa fase em que já deveria focar-se nas flores e nos frutos. Se não quer arriscar atrasos, considere plantar mais fundo em pé ou fazer a plantação clássica à mesma profundidade a que a muda crescia no vaso.
Fonte: Epic Gardening, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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