Junho no pomar de macieiras decide se vai colher frutos saudáveis
A alternância de trovoadas, tempo abafado e as ondas de calor que se seguem põe as árvores de fruto à prova em junho. Quando encontra pequenas maçãs caídas debaixo da copa, é fácil entrar em pânico. Mas parte dessa queda é natural. Por volta de meados de junho ocorre a chamada “queda de junho”, em que a árvore reduz por si só o número de frutos. Deita fora aqueles que foram mal polinizados, mal vingados ou que mais tarde já não conseguiria alimentar. Assim também alivia a estrutura, porque uma carga menor reduz o risco de ramos se danificarem com o peso da produção mais adiante.
O importante é olhar para os detalhes. Se os frutos caídos estão limpos e sem sinais de danos, geralmente trata-se de uma regulação natural. Mas, se vir pequenos furos escuros, restos de excrementos, ou se nas folhas aparecem manchas ou um revestimento esbranquiçado, não é seleção: é pressão de pragas ou doenças. Nessa altura compensa reagir depressa, porque junho é decisivo para a proteção do pomar.
As ameaças mais comuns em junho e o que fazer
Traça-da-maçã e o início do “bicho”
A traça-da-maçã é uma borboleta cujas lagartas perfuram os frutos e causam a conhecida maçã “bichada”. É precisamente em junho que termina o voo da primeira geração e abre-se a janela em que a intervenção faz mais sentido. Mas não convém pulverizar às cegas. O momento-chave é logo após a eclosão das lagartas, quando ainda estão à superfície da folha ou do fruto e não tiveram tempo de entrar. Assim que a larva está dentro da maçã, uma pulverização comum praticamente já não a atinge e o prejuízo só se nota na colheita.
Se optar por uma proteção convencional, nesta fase usam-se inseticidas sistémicos indicados para a traça. Quem prefere uma abordagem mais suave pode recorrer a produtos biológicos de ação seletiva, que visam a traça e, ao mesmo tempo, pesam menos sobre os insetos úteis. Para alguns produtores, também resultam nemátodes parasitas aplicados conforme o rótulo, ajudando a interromper o ciclo de desenvolvimento da praga.
Hábito essencial para junho: recolha regularmente as mini-maçãs que caem prematuramente e elimine-as fora de um composto aberto. Se a lagarta ficar lá dentro, pode mais tarde empupar e preparar o terreno para uma nova vaga de danos no verão.
Pedrado e oídio como doenças típicas de junho
A combinação de dias quentes, precipitação frequente e humidade elevada cria em junho condições ideais para doenças fúngicas. O pedrado reconhece-se por manchas castanho-escuras a negras nas folhas e, mais tarde, também nos frutos, que podem deformar. O oídio manifesta-se por um revestimento esbranquiçado, tipo farinha, sobretudo nas pontas dos rebentos jovens e nas folhas. Quando as folhas deixam de funcionar bem, a árvore alimenta pior a carga e a queda de frutos pode acelerar de forma marcada.
Em plena vegetação, os fungicidas sistémicos tendem a ter o efeito mais rápido, porque penetram nos tecidos e protegem também os novos crescimentos. Se preferir uma via mais ecológica, usam-se produtos de contacto à base de enxofre ou cobre. Estes, porém, têm de ser aplicados de forma preventiva, porque depois de uma chuva forte a película protetora lava-se facilmente e a eficácia cai depressa.
Deficiência “invisível” de cálcio e desvalorização posterior da colheita
Um erro comum é atribuir a queda de frutos apenas à falta de água ou de azoto. Em junho, porém, o fator limitante pode ser o cálcio, essencial para a firmeza das paredes celulares dos frutos. Quando a árvore não tem cálcio suficiente, o problema por vezes só aparece em pleno no outono como bitter pit (pintado amargo): manchas castanhas, secas e de sabor amargo sob a casca, que tornam as maçãs menos conserváveis ou mesmo impróprias para consumo.
A dificuldade é que, no verão, sobretudo em períodos de seca, a árvore pode não conseguir absorver cálcio de forma fiável pelas raízes. Uma solução prática é a nutrição foliar, isto é, pulverizar folhas e frutos em desenvolvimento com adubos foliares com maior teor de cálcio. É aconselhável aplicar ao fim da tarde, para minimizar o risco de queimaduras nas folhas e favorecer a absorção.

Procedimentos simples que ajudam muito em junho
Regue junto às raízes e mantenha as folhas secas o máximo possível
Em tempo de seca, a rega faz sentido, mas vale a pena direcionar a água para debaixo da copa, idealmente para a zona das raízes ativas. Molhar a folhagem com a mangueira em tempo quente pode, pelo contrário, aumentar o risco de pedrado e oídio, porque prolonga o período de humedecimento e cria um ambiente mais favorável à infeção.
Areje a copa e acelere a secagem após a chuva
Se na primavera não conseguiu fazer a poda, em junho muitas vezes ainda dá para remover, sem grande risco, os chamados rebentos ladrões, ou seja, os vigorosos rebentos verticais dentro da copa, que frutificam pouco e, sobretudo, adensam a árvore. A abertura melhora a circulação de ar, a copa seca mais depressa depois da chuva e a pressão de doenças fúngicas tende a ser menor.
Fitas adesivas como prevenção contra formigas e, indiretamente, contra pulgões
À volta do tronco pode fixar fitas adesivas, que limitam a subida das formigas à copa. As formigas frequentemente protegem os pulgões e transportam-nos para novos rebentos, porque se alimentam das suas secreções açucaradas. Quando se dificulta o acesso das formigas, os pulgões ficam mais vulneráveis aos predadores naturais e a árvore, no geral, mantém-se em melhor estado.
Como perceber que está no caminho certo
Um bom controlo em junho depende sobretudo da regularidade. Observe se os novos frutos caídos não apresentam marcas de picadas, se as manchas nas folhas não se estão a alastrar e se não surge um revestimento esbranquiçado nos rebentos jovens. Se a isso juntar uma intervenção atempada e dirigida contra a traça, uma proteção sensata contra doenças fúngicas e a reposição de cálcio via foliar, aumenta muito a probabilidade de, no fim da estação, colher uma produção saudável e suculenta em vez de maçãs bichadas e danificadas.
Fonte: Gardener’s World, Urob si sám, RHS, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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