Estrume fresco não deve ir para as plantas, queima raízes e a parte aérea
O estrume animal está entre os fertilizantes naturais mais antigos e continua a ser usado porque consegue juntar duas coisas essenciais: fornece nutrientes ao solo e, ao mesmo tempo, melhora a sua estrutura. No solo, aumenta o teor de matéria orgânica, estimula os microrganismos e ajuda o canteiro a reter melhor a humidade sem encharcar. Com isso, as plantas tendem a ficar mais resistentes, as raízes desenvolvem-se melhor e o solo, com o tempo, torna-se mais fofo e fértil.
No entanto, não existe um estrume universalmente “melhor”. Animais diferentes produzem dejetos com proporções distintas de azoto, fósforo e potássio; variam também na humidade e na quantidade de matéria orgânica. O efeito final é ainda muito influenciado por o estrume estar fresco, compostado, seco, há quanto tempo foi produzido e como foi armazenado. Quem conhece estas diferenças consegue adubar de forma mais eficaz e, sobretudo, mais segura.
Os tipos de estrume mais comuns e em que diferem
Na prática de jardinagem, usa-se mais frequentemente estrume de vaca, cavalo, ovelha, cabra, porco e aves. Algumas fontes referem também dejetos de coelho ou de lama. Cada tipo tem uma “força” diferente e um uso mais indicado. Em geral, quanto maior o teor de azoto, mais rápido é o efeito, mas também maior o risco de queimar as plantas se o material for aplicado de forma inadequada.
Estrume de vaca como base suave para melhorar o solo
O estrume de vaca fresco costuma ser bastante húmido e, em comparação com o de aves ou coelho, tem menor concentração de nutrientes. Isto faz dele um bom material para construir a fertilidade do solo de forma gradual, especialmente quando precisa melhorar a estrutura de solos leves e arenosos ou, pelo contrário, arejar solos mais pesados. Para fornecer a mesma quantidade de azoto, porém, é necessário usar uma quantidade bem maior. Já o estrume de vaca seco tem os nutrientes mais concentrados, portanto aplica-se com mais parcimónia.
Estrume de ovelha como opção mais concentrada
O estrume de ovelha tende a ter mais matéria orgânica e, geralmente, mais nutrientes do que o estrume de vaca fresco. Na prática, isso significa que obtém o mesmo efeito com menor quantidade de material. O estrume de ovelha seco é ainda mais potente e é útil quando quer fornecer nutrientes com pouco volume, por exemplo em canteiros elevados ou em locais onde não há espaço para grandes doses de adubos volumosos.
Estrume de galinha e de aves é nutritivo, mas exige cautela
O estrume de aves está entre as fontes mais ricas em nutrientes, sobretudo em azoto. E é precisamente por isso que muitos jardineiros erram ao usá-lo fresco ou em dose excessiva. Na versão compostada, o risco é menor, porque parte do azoto estabiliza durante a maturação. Também é importante saber que o estrume de aves pode ter efeito alcalinizante e, por isso, não é indicado para plantas que exigem um solo mais ácido. Tipicamente, são rododendros, azáleas, camélias, mirtilos ou urzes.
Estrume de cavalo e a sua utilização nos canteiros
O estrume de cavalo é popular entre os jardineiros também porque muitas vezes inclui a cama (palha/serragem), o que aumenta a proporção de materiais ricos em carbono. Isso pode ser uma vantagem na compostagem, mas também significa que a mistura final se decompõe de forma diferente conforme a cama seja palha, aparas de madeira ou serrim. O estrume de cavalo fresco continua a ser demasiado forte para adubar diretamente as plantas; é mais indicado compostá-lo primeiro ou incorporá-lo no solo com antecedência.
Dejetos de coelho como fertilizante forte em pouco volume
Os dejetos de coelho são surpreendentemente concentrados e, ao mesmo tempo, não costumam ser tão aquosos como o estrume de grandes animais de criação. Na prática, isso significa que mesmo uma quantidade relativamente pequena consegue fornecer nutrientes de forma perceptível. Ainda assim, vale manter a regra do uso seguro: idealmente compostar ou, pelo menos, não aplicar material fresco diretamente junto às raízes de plantas sensíveis.
Dejetos de lama e outras fontes menos comuns
Os dejetos de lama aparecem por vezes onde há lamas criadas para lã ou como animais de hobby. O teor de nutrientes costuma ser razoável e a dosagem fica a meio caminho entre estrumes volumosos e os mais concentrados. Em fontes menos comuns, é sempre importante saber como os animais foram alimentados e como o material foi armazenado, para não introduzir substâncias indesejadas no jardim.

Estrume fresco versus estrume compostado
O estrume fresco tem, em geral, menos de meio ano e não passou por compostagem. É precisamente este tipo de material que pode ser problemático para as plantas. Contém mais azoto de rápida disponibilidade e amoníaco, o que pode causar queimaduras nas raízes e nas partes aéreas. Além disso, as plantas não conseguem aproveitar todo o azoto; parte perde-se e pode contaminar as águas subterrâneas.
Outro risco são os agentes patogénicos. No estrume fresco podem ocorrer bactérias perigosas, como E. coli, salmonela ou listeria. O estrume fresco também costuma conter sementes de infestantes não digeridas, que depois acabam por ir facilmente parar aos canteiros.
Regra prática: o estrume fresco deve ser incorporado no solo com bastante antecedência, idealmente no outono, ou então totalmente compostado e deixado a maturar.
Quando aplicar estrume para ser eficaz e seguro
A aplicação no outono costuma ser a mais indicada, porque o material tem tempo suficiente para se decompor, integrar-se na vida do solo e, na primavera, já não atua de forma agressiva. A segunda opção é o início da primavera, mas aí é mais seguro usar estrume bem compostado e maturado. Em culturas alimentares, é importante lembrar que as plantas em contacto com o solo são mais sensíveis do ponto de vista da higiene. Por isso, convém respeitar um intervalo longo entre a aplicação de material ainda não maturado e a colheita.
Como compostar estrume corretamente
A compostagem reduz significativamente os riscos para a saúde e ajuda a eliminar o poder germinativo das sementes de infestantes. Se o estrume tiver pouca cama, é boa ideia adicionar componentes ricos em carbono para equilibrar a relação carbono/azoto. Na prática, isso significa juntar folhas secas, relva cortada, restos de cozinha de origem vegetal ou até papel de jornal rasgado.
A temperatura também é crucial. Uma pilha bem montada deve atingir temperaturas elevadas durante, pelo menos, uma semana, porque o calor é a chave para reduzir patogénicos. O composto precisa ser arejado e revirado periodicamente para que a decomposição não estagne e não surjam maus cheiros. Depois da fase ativa, vale a pena deixar o material maturar por mais alguns meses antes de o usar nos canteiros.
Convém ter em conta que o estrume compostado tem valores mais baixos de nutrientes de rápida disponibilidade do que o estrume fresco. O seu principal benefício, no entanto, está em fornecer matéria orgânica mais estável, apoiar o microbioma do solo e trazer também micronutrientes, como cálcio, magnésio, enxofre, ferro, zinco ou cobre.
Perguntas frequentes sobre adubação com estrume
Qual é o melhor estrume para o jardim
Depende do objetivo. Se quer o máximo de nutrientes, o estrume de aves lidera, mas exige compostagem e doseamento cuidadoso. Para melhoria do solo a longo prazo, o estrume de vaca é muito prático, porque é suave e melhora a estrutura. Já os dejetos de coelho são úteis quando precisa de um fertilizante mais forte em menor quantidade.
Posso usar estrume fresco diretamente nas plantas
Não. Adubar diretamente com estrume fresco pode queimar as plantas e, ao mesmo tempo, aumenta os riscos de higiene, especialmente em hortícolas. É mais seguro compostar o estrume ou incorporá-lo no solo muito antes da plantação.
O estrume de galinha é adequado para todas as plantas
Não. Devido à sua potência e ao efeito frequentemente alcalinizante, pode não ser adequado para espécies acidófilas, como mirtilos ou azáleas. Nas outras culturas, é fundamental que esteja bem maturado e seja usado numa dose apropriada.
O estrume melhora mesmo o solo a longo prazo
Sim. Além de nutrientes, fornece matéria orgânica, que favorece uma estrutura grumosa, melhora a infiltração, reduz a compactação e ajuda a reter humidade. Com uso regular e sensato, o solo torna-se mais fértil ano após ano.
O estrume pode transmitir doenças
Se estiver fresco ou mal compostado, sim. A compostagem correta, com aquecimento suficiente e maturação posterior, reduz muito o risco e torna o estrume num material seguro e extremamente útil para o jardim.
Fonte: Almanac, Fine Gardening , Pestrazahrada.cz
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