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Como cultivar cerejas sem bichos e travar a mosca da cereja antes que arruíne a colheita

June 12, 2026 · 5 min de leitura · Tomas Rohlena
Como cultivar cerejas sem bichos e travar a mosca da cereja antes que arruíne a colheita
Cerejas / Foto: Depositphotos
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A presença de larvas nas cerejas e nas ginjas é mais frequentemente causada pela mosca da cereja, um inseto discreto que consegue desvalorizar bastante a colheita. No início do verão, as fêmeas põem os ovos mesmo por baixo da pele de frutos ainda verdes, que vão começando a amarelar. Passados alguns dias, eclodem larvas que atacam de imediato a polpa. Os frutos amolecem, escurecem, apodrecem com facilidade e muitas vezes caem antes do tempo.

Depois de completarem o desenvolvimento, as larvas saem do fruto, caem no chão e empupam no solo. A alguns centímetros de profundidade passam o inverno e, na primavera, emergem novos adultos, pelo que o problema se repete todos os anos se não se interromper o ciclo.

Como reconhecer a mosca da cereja e quando ataca

A mosca adulta é pequena, de cor preta e amarela. O sinal típico são as asas transparentes com quatro faixas escuras bem marcadas. A fêmea tem cabeça amarela e pequenas manchas amarelas no corpo escuro. Normalmente entra nas copas desde meados de maio até junho, conforme o tempo e a localização do jardim.

Este é o período mais arriscado, porque é quando ocorre a postura. Uma fêmea pode pôr dezenas a centenas de ovos, e os adultos mantêm-se ativos na copa durante várias semanas. Quando as larvas já estão a comer a polpa, é tarde para resolver com pulverização, porque o “bicho” está protegido dentro do fruto.

Escolher a variedade como prevenção mais simples

O truque de cultivo mais fiável é plantar variedades muito precoces, que amadurecem até meados de junho. A mosca pode até pôr um ovo no fruto, mas a apanha acontece tão cedo que as larvas ainda estão recém-eclodidas ou tão pequenas que, na prática, quase não se notam na colheita.

Nas cerejeiras precoces, por isso, muitas vezes dá para evitar frutos bichados sem química e sem intervenções complicadas. Já se cultivar variedades tardias, conte com um risco muito maior de ataque e compensa combinar várias medidas de proteção.

Quando faz sentido pulverizar e como acertar o momento

Nas variedades tardias recorre-se à proteção química quando os frutos começam a amarelar e as moscas ainda estão a entrar na copa. O momento certo é decisivo, porque o objetivo é atingir os adultos antes de porem os ovos.

Ajuda muito fazer uma monitorização simples com armadilhas adesivas amarelas penduradas na copa, idealmente também no lado mais soalheiro da árvore. Assim que começar a aparecer um maior número de moscas coladas, é altura de atuar. A pulverização costuma repetir-se ao fim de cerca de duas semanas. É sempre obrigatório cumprir rigorosamente o intervalo de segurança indicado no produto, ou seja, o tempo entre a aplicação e a colheita em segurança.

Formas ecológicas de proteção sem química

Se quiser evitar inseticidas, vale a pena juntar vários métodos naturais e mecânicos, que dificultam o acesso da mosca aos frutos e ao mesmo tempo perturbam o seu desenvolvimento no solo.

As placas adesivas amarelas funcionam como armadilha visual. A cor amarelo vivo atrai fortemente as moscas, que ficam presas antes de conseguirem pôr os ovos. Para melhor efeito, convém instalá-las logo no início do período de voo.

Outra opção é repelir com alho. O cheiro do alho incomoda a mosca, por isso usa-se um extrato de alho esmagado coberto com água a ferver e deixado a repousar cerca de um dia. Depois de coar, dilui-se em água e, durante o período de voo, pulveriza-se regularmente de forma fina sobre os frutos.

Em árvores pequenas, no período crítico, pode usar-se uma rede de proteção de malha fina, que impede fisicamente as moscas de chegarem aos frutos. A atenção ao detalhe é essencial, para não ficar nenhuma abertura por onde o inseto consiga entrar.

Também é muito prática uma barreira por baixo da árvore. Se estender uma película ou uma manta não tecida sob a copa, as larvas provenientes de frutos caídos têm mais dificuldade em entrar no solo, onde de outra forma passariam o inverno em segurança. Ao mesmo tempo, isso pode dificultar a emergência de adultos a partir do solo na primavera.

Cerejas / Foto: Depositphotos
Cerejas / Foto: Depositphotos

Tem também grande importância apanhar a tempo e eliminar de forma rigorosa os frutos atacados ou caídos. Não deixe cerejas no chão debaixo da árvore e não as deite no composto no próprio jardim junto às cerejeiras, porque assim só está a ajudar a praga a completar o ciclo. O mais indicado é eliminar os frutos longe das árvores ou enterrá-los profundamente.

Trabalhar o solo também pode ajudar. Se no outono ou no início da primavera cavar bem a terra sob a árvore, perturba as pupas e aumenta a sua vulnerabilidade. Por vezes usa-se também cal viva. E, se tiver galinhas, podem ser auxiliares surpreendentemente eficazes, porque procuram e bicam larvas e pupas no solo.

Como salvar a colheita quando as cerejas já estão bichadas

Se encontrar larvas na colheita, não precisa de deitar tudo fora. Antes de transformar, resulta bem um banho em água salgada, que faz as larvas abandonarem o fruto. Num recipiente, prepare água fria com sal numa proporção de cerca de 20 gramas por litro e mergulhe as cerejas completamente durante uma a duas horas.

As larvas muitas vezes sobem à superfície ou soltam-se dos frutos. No fim, basta lavar muito bem as cerejas em água limpa. Uma imersão curta normalmente não altera de forma significativa o sabor e pode usar as cerejas sem receio para compotas, conservas e para bolos.

Fonte: Pat Welsh, Salisbury Greenhouse, Pestrazahrada.cz

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Tomas Rohlena
Tomas Rohlena

Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.

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