Chega de deitar fora a relva formas inteligentes de a devolver ao solo e aumentar a produção
Um relvado bem cuidado fica impecável, mas com cortes mais frequentes também cresce rapidamente a pilha de material cortado. Muitas pessoas deitam-no automaticamente no lixo orgânico e, com isso, perdem nutrientes que já estavam no terreno. Os restos de relva contêm sobretudo azoto, mas também outras substâncias importantes para o crescimento das plantas e para a boa saúde do solo.
Se os aproveitar de forma inteligente, pode reduzir o uso de fertilizantes, reter melhor a humidade nos canteiros e estimular a vida do solo. A seguir encontra várias formas práticas de usar a relva em casa, no jardim, de modo a poupar tempo e dinheiro.
Compostagem como a solução mais versátil
A relva cortada é excelente para o composto, porque faz parte dos chamados materiais “verdes”, ricos em azoto. O importante é não a acrescentar em grandes montes húmidos, que se colam, começam a cheirar mal e, em vez de se decompor, formam uma massa viscosa. Também não é ideal deixar aparas compridas sobre o relvado, onde podem sufocar a relva e impedir a entrada de luz.
O que resulta é fazer camadas: intercale a relva fresca com componentes castanhos, ricos em carbono, como folhas secas, palha, raminhos finos ou cartão e papel rasgados. Areje o composto regularmente, misturando-o, controle uma humidade moderada e coloque-o de preferência em meia-sombra, para não sobreaquecer. Evite relva de um relvado tratado com químicos ou doente e também espécies que possam voltar a enraizar.
Cobertura morta de relva ajuda contra ervas daninhas e a seca
A relva depois do corte pode transformar-se facilmente em cobertura morta para canteiros ornamentais, hortícolas e à volta de arbustos. A cobertura morta limita a germinação de ervas daninhas, abranda a perda de humidade do solo, suaviza oscilações de temperatura e, ao decompor-se, fornece nutrientes, sobretudo azoto e potássio.
Para que a cobertura não se transforme numa camada impermeável e escorregadia e, ao mesmo tempo, para não atrair lesmas desnecessariamente, aplique a relva apenas em camadas finas, cerca de 2 a 5 cm. O ideal é deixar as aparas secarem um pouco ao sol, porque a relva mais seca cola menos e decompõe-se de forma mais uniforme. Use apenas material sem tratamentos químicos e sem misturas de espécies invasoras.
A opção mais simples é deixar as aparas no relvado
Se corta com regularidade e as aparas são curtas, até cerca de 3 cm, pode deixá-las no local. Este método é conhecido como reciclagem da relva diretamente no relvado e muitas vezes funciona surpreendentemente bem. As aparas decompõem-se depressa e devolvem nutrientes ao solo, reduzindo a necessidade de adubação e melhorando a estrutura do terreno, seja ele arenoso ou argiloso.
Para resultar, corte de modo a não retirar mais do que um terço da altura do relvado, use uma lâmina afiada e não corte relva molhada. Se o relvado estiver com doenças ou tiver sido tratado com herbicidas, é mais seguro recolher as aparas. Perto de valetas de drenagem e de locais onde o material possa ser arrastado para a água, também é melhor remover a relva.
Fertilizante líquido de relva, o chamado chá de relva
Com relva fresca pode preparar um fertilizante natural simples. Coloque a relva cortada num recipiente, cubra com água, de preferência da chuva, de modo a ficar totalmente submersa, e deixe em infusão durante alguns dias até duas semanas. Os nutrientes vão sendo libertados para a água, como azoto, potássio e fósforo, além de outras substâncias que favorecem o crescimento.
No fim, coe o extrato e use-o como concentrado, que convém diluir aproximadamente na proporção de 1 parte de extrato para 10 partes de água. Serve para canteiros, flores e também para o relvado. Os restos vegetais após coar vão para o compostor, onde continuarão a decompor-se. Se a relva se mantiver sempre abaixo da superfície da água, normalmente reduz-se também o risco de algumas espécies indesejadas voltarem a pegar.
Uso como alimento para animais de criação
Relva fresca sem pulverizações também pode servir como alimento natural. É apreciada, por exemplo, por galinhas e gansos, assim como por cabras, ovelhas ou bovinos. Para pequenos mamíferos, é mais comum aproveitar aparas mais compridas secas, transformadas em feno, que costuma ser mais prático e estável.
Outra possibilidade é o processamento em silagem para o gado. Uma silagem bem feita pode ter uma elevada proporção de proteína e é, em geral, bem digestível, pelo que também por esta via a massa cortada pode tornar-se um recurso valioso.

Canteiro tipo lasanha sem cavar
A chamada jardinagem “lasanha” baseia-se em camadas de materiais orgânicos, tal como se montam as camadas no prato que lhe dá o nome. Não precisa de cavar nem de virar a terra de forma tradicional; em vez disso, cria um canteiro alto com camadas castanhas e verdes, por exemplo, folhas secas, palha, relva e outros resíduos de jardim. Com humidade adequada, as camadas começam a decompor-se e, aos poucos, formam um substrato rico.
Quando, com o tempo, a camada assentar e o material começar a transformar-se numa massa fofa, pode plantar. Esta abordagem ajuda a poupar água, reduz a necessidade de adubação e, a longo prazo, aumenta a fertilidade. Certifique-se de que os materiais usados não estão contaminados e evite restos de carne e laticínios, que atraem pragas. Este tipo de canteiro faz-se melhor num local soalheiro e, todos os anos, convém acrescentar mais uma camada, idealmente no outono, quando há muitas folhas e raminhos.
Pequena mudança de hábito, grande benefício para o solo
A relva cortada pode ser um recurso caseiro que ajuda o relvado, os canteiros e o compostor. Quer a deixe no local, a use como cobertura morta, a transforme em fertilizante líquido ou construa um canteiro em camadas, estará sempre a devolver nutrientes ao ciclo do jardim. O resultado é menos resíduos, um solo mais saudável e plantas mais resistentes ao longo de toda a estação.
Fonte: GrowVeg, Lawn Starter, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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