Um pires com água pode arruinar toda a sua tentativa de ter um jardim sem mosquitos
Ervas aromáticas e perenes perfumadas são das formas mais agradáveis de tornar o verão ao ar livre ainda melhor. Lavanda, manjericão, alecrim, hortelã ou capim-citronela conseguem perfumar o terraço, atrair polinizadores e, ao mesmo tempo, podem deixar o espaço à volta da zona de estar menos apelativo para os mosquitos. Mas é importante contar com o facto de que a simples plantação não cria um escudo invisível. As plantas funcionam como uma parte útil de uma estratégia global, não como proteção a 100% contra picadas.
O efeito repelente está ligado a substâncias voláteis de que os insetos muitas vezes não gostam. Entre elas estão, por exemplo, citronelal, geraniol, linalol, mentol, timol, carvacrol ou nepetalactona. Estes aromas libertam-se melhor quando as folhas são esfregadas, podadas ou colhidas. Um vaso colocado longe, num canto do jardim, fica bonito, mas o seu contributo para o conforto à mesa será limitado.
O melhor resultado obtém-se quando coloca as plantas aromáticas perto das pessoas, as colhe com regularidade e, ao mesmo tempo, elimina as fontes de água parada.
Mosquitos como um problema real no jardim
Os mosquitos são pequenos insetos voadores em que as fêmeas sugam sangue. Além de comichão e irritação, em algumas partes do mundo podem transmitir doenças graves. Numa perspetiva prática de jardim, o ponto-chave é sobretudo que se reproduzem em água parada. Basta uma pequena quantidade de água em pires, baldes, caleiras entupidas, regadores, brinquedos ou bebedouros de aves mal cuidados. Antes de pensar na plantação, muitas vezes o que mais ajuda é precisamente uma limpeza rigorosa dos locais onde a água se acumula.
As plantas repelentes funcionam mesmo
Sim, mas de outra forma do que sugerem conselhos demasiado simplificados. A maior parte das evidências diz respeito a extratos e óleos essenciais, ou a substâncias isoladas, e não à planta viva no canteiro. Um produto concentrado comporta-se de modo diferente de um arbusto num vaso. Ainda assim, na prática, uma plantação mais densa de espécies aromáticas junto a portas, janelas, caminhos e zonas de estar pode reduzir a atratividade do local para os mosquitos, sobretudo quando o aroma é libertado regularmente pela colheita ou pelo contacto.
Se para si é essencial uma proteção fiável, por exemplo em períodos de grande incidência de mosquitos, faz sentido recorrer também a repelentes aprovados e combiná-los com métodos mecânicos, como redes nas janelas ou um ventilador no terraço. As plantas passam então a ser uma camada agradável, estética e parcialmente complementar.

Plantas que mais se revelam úteis no jardim e no terraço
Capim-citronela e capim-limão
O capim-citronela é conhecido por ser a planta de que se obtém o componente aromático usado em muitos produtos repelentes. Em vaso, forma uma touceira marcante e, ao esfregar as folhas, liberta um aroma cítrico intenso. O capim-limão funciona de forma semelhante e, além disso, tem forte uso culinário. Ambas as gramíneas são ótimas para recipientes grandes em terraços soalheiros, junto à piscina ou na zona de refeições ao ar livre. Em regiões mais frias, é preciso ter em conta que não toleram geada e, por isso, muitas vezes são cultivadas como plantas que se deslocam para abrigo.
Lavanda
A lavanda combina valor ornamental, perfume intenso e benefício para polinizadores. Dá-se melhor a pleno sol e em solo com excelente drenagem, onde não sofre com encharcamento. Para prevenir mosquitos, faz sentido colocá-la junto a caminhos, perto de um banco ou à entrada do terraço, para que o aroma se liberte com o movimento do dia a dia. Além disso, pode ser seca em saquinhos e usada moderadamente também em casa.
Alecrim
O alecrim é uma escolha ideal para locais secos e soalheiros. O seu aroma resinoso tende a ser desagradável para parte dos insetos voadores e, na cozinha, é uma das ervas mais úteis. Fica perfeito junto ao grelhador, na cozinha exterior, ao pé de um murete com assento e também em vasos. Desenvolve-se bem num substrato drenante, onde as raízes não ficam em água, e depois de enraizado aguenta a seca melhor do que muitas outras ervas.
Manjericão
O manjericão é prático porque é colhido com frequência, o que mantém o aroma sempre “ativado”. Adapta-se a vasos no peitoril da janela, a uma varanda soalheira e também a canteiros junto a tomates e outros legumes. Beliscar as pontas regularmente mantém a planta compacta e, ao mesmo tempo, liberta um perfume herbáceo intenso, que os mosquitos normalmente não procuram. Se deixar o manjericão florir, ainda oferece néctar a abelhas e borboletas.
Hortelã e erva-cidreira
A hortelã é muito aromática e refrescante, por isso costuma ser colocada perto de zonas onde se senta e se preparam bebidas. Mas tem tendência a alastrar depressa, pelo que é mais seguro cultivá-la em recipientes. A erva-cidreira tem um aroma a limão mais suave, é popular para infusões e também cresce vigorosamente; por isso, também se dá bem em vaso, onde controla a sua expansão. Ambas são mais úteis quando são colhidas frequentemente e as folhas são esfregadas.
Tomilho e orégãos
O tomilho é baixo e também serve para bordaduras de canteiros e junto a caminhos, onde o aroma se liberta ao toque. Os orégãos são mais robustos e, na época de floração, atraem polinizadores. Ambas as ervas contêm compostos aromáticos associados a um efeito repelente, mas no jardim vai apreciá-las sobretudo como uma plantação perfumada que se corta regularmente para a cozinha. Prosperam melhor ao sol e em solo bem drenado, sem excessos de rega.
Erva-dos-gatos
A erva-dos-gatos é conhecida pelo efeito que tem nos felinos, mas os seus compostos aromáticos também são referidos em estudos sobre repulsão de insetos. Na prática, é adequada para canteiros de aromáticas e para vasos, porque pode espalhar-se. Se quiser tirar o máximo partido das suas características, cultive-a onde as folhas sejam ocasionalmente esfregadas ou colhidas.
Cravo-túnico e calêndula como plantas companheiras
Cravos-túnicos e calêndulas são muitas vezes plantados em hortas como parte de uma proteção natural contra pragas. Para mosquitos, normalmente não são a arma principal, mas podem complementar as plantações perfumadas, acrescentar cor e prolongar a floração. Perto do terraço, conseguem criar uma bordadura viva e acolhedora, que ainda por cima atrai insetos benéficos.
Chagas e plantas do grupo dos alhos
A chaga é de crescimento rápido, comestível e bastante aromática. Na horta, também é usada como planta cujo odor pode afastar algumas pragas. Alho, cebolinho, cebola e outras espécies afins são valorizadas pelo aroma sulfuroso marcante e pelo uso na cozinha. No contexto dos mosquitos, encare-as mais como um elemento de apoio que se integra bem numa plantação mista.
Como usar vasos e recipientes da forma mais inteligente
O cultivo em recipientes é muitas vezes o mais eficaz para plantas repelentes, porque permite levar os vasos exatamente para onde passa tempo. Num terraço soalheiro, funciona bem um recipiente grande com capim-limão ou capim-citronela e, à volta, vasos menores com manjericão, alecrim, tomilho ou orégãos. Em meia-sombra, por sua vez, hortelã e erva-cidreira crescem melhor. O essencial é que os recipientes tenham furos de drenagem e que não fique água nos pires.
Um pires cheio de água pode deitar por terra todo o esforço, porque facilmente se transforma num viveiro de mosquitos.

Como ativar o aroma e aumentar o efeito prático
Os compostos aromáticos libertam-se sobretudo com o contacto. Por isso, ajuda plantar as ervas junto a passagens ou na borda da zona de estar, onde as folhas de vez em quando toquem na roupa. A colheita regular, a poda e o beliscamento são importantes, porque tornam as plantas mais densas e, ao mesmo tempo, fazem-nas libertar mais aroma. Antes de receber visitas, pode aproximar os vasos mais perfumados da mesa ou das portas, onde há maior movimento.
É preciso prudência quando se pensa em usar na pele. Esfregar folhas pode causar irritação em pessoas sensíveis e os óleos essenciais são substâncias concentradas que não devem ser aplicadas diretamente sem diluição adequada. Com crianças, grávidas e animais de estimação, é sensato ter ainda mais cuidado e não confiar em experiências caseiras.
Erros mais comuns que reduzem o efeito
Um erro frequente é esperar que meia dúzia de vasos resolva todas as picadas. Outro é a má colocação, por exemplo quando as plantas aromáticas ficam longe dos locais onde se senta. Um grande problema é também ignorar a água parada, que dá aos mosquitos condições ideais para se multiplicarem. Por fim, vale a pena escolher as espécies de acordo com as condições: a lavanda não tolera solo pesado e encharcado, o capim-citronela não tolera geada e a hortelã, sem controlo, pode tornar-se invasiva.
Como é, de forma realista, um jardim com menos mosquitos
O melhor resultado vem da combinação de várias camadas de proteção. Plantas perfumadas como capim-citronela e capim-limão, lavanda, alecrim, manjericão, hortelã, erva-cidreira, tomilho, orégãos ou erva-dos-gatos melhoram o ambiente e podem reduzir parcialmente a atratividade do espaço para os mosquitos, especialmente quando são plantadas perto das pessoas e se trabalha com elas regularmente. Espécies companheiras como cravo-túnico, calêndula, chaga ou plantas do grupo dos alhos acrescentam utilidade, cor e diversidade.
A base, porém, é a prevenção: eliminar água parada, manter as caleiras limpas, trocar a água dos bebedouros, usar redes e melhorar a circulação do ar, por exemplo com um ventilador. Quando é necessária uma proteção pessoal fiável, os repelentes aprovados e usados conforme as instruções também têm o seu lugar. Essa combinação é funcional, agradável à vista e realista nas expectativas.
Fonte: Gardenia, Gardena , Pestrazahrada.cz
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