Quer hortênsias azuis ou cor-de-rosa, saiba como mudar a cor
As hortênsias estão entre os arbustos ornamentais mais populares, porque conseguem formar inflorescências grandes e marcantes, em tons suaves ou intensos. O que surpreende muitos cultivadores é que a cor final nem sempre é determinada apenas pela variedade. Em algumas hortênsias, dá para influenciar o tom das flores de forma intencional, sobretudo quando a planta está bem vigorosa, tem um local adequado e o solo à sua volta é mantido, ao longo do tempo, com os parâmetros certos.
Se tem no jardim hortênsias que florescem em cor-de-rosa e preferia uma versão azul, o mais importante é perceber de que depende a coloração. Não se trata de um “truque” pontual, mas sim de ajustar gradualmente o ambiente, para que a planta passe a absorver os nutrientes de outra forma.
Porque é que as hortênsias ficam com cores diferentes
A chave da cor das flores é a reação do solo, ou seja, o seu pH. Em ambiente mais ácido, as hortênsias tendem a ganhar tons mais azulados, enquanto em solos mais alcalinos têm maior tendência a passar para o cor-de-rosa. Um solo neutro costuma resultar em tonalidades mais claras e, em alguns tipos, até em flores brancas.
Daqui resulta uma conclusão simples: se quer flores azuis, precisa de baixar gradualmente o pH do solo e mantê-lo estável. Se a rotina de cuidados muda, por exemplo devido a uma adubação inadequada ou ao tipo de água de rega, o pH pode subir com o tempo e o arbusto começa a regressar ao cor-de-rosa.
O truque da meia comum que ajuda a puxar o tom para o azul
Um método caseiro acessível é usar uma meia velha e adubo para rododendros. Este tipo de adubo costuma ser formulado para plantas acidófilas e, por isso, pode fornecer às hortênsias substâncias que favorecem uma coloração mais azulada e, ao mesmo tempo, contribuir ligeiramente para acidificar o solo.
O procedimento é simples. Coloque o adubo dentro da meia, faça um nó bem apertado e deixe a meia de molho durante a noite num recipiente com água. De manhã, terá um “chá” que pode usar para regar a hortênsia, de preferência cedo. Convém repetir o processo ao fim de alguns dias, porque a mudança de tom tende a ser gradual e a planta reage sobretudo a alterações mais duradouras nas condições do solo.
A coloração azul é, na maioria das vezes, uma resposta a um solo mais ácido; por isso, é importante repetir o procedimento e manter as condições estáveis.
O que pode estragar rapidamente o azul

Se está a tentar obter flores azuis, vale a pena evitar práticas que empurrem o solo, aos poucos, para valores mais alcalinos. Um problema pode ser, por exemplo, a adubação frequente com composto, porque o seu efeito no solo nem sempre é o ideal para manter o azul. De forma semelhante, a rega com água da torneira também pode influenciar: por ser muitas vezes mais dura, pode ir alterando a reação do solo com o tempo.
Isto não significa que tenha de abdicar totalmente dessas práticas, mas se o objetivo é um azul estável, é importante controlar o que adiciona ao solo e que água utiliza. Nas hortênsias, pequenas mudanças costumam refletir-se com atraso, o que torna fácil não notar a causa.
Como manter as hortênsias azuis nas próximas épocas
Mudar a cor é apenas o primeiro passo. Muitas vezes, o mais importante é manter as condições para que a planta, no ano seguinte, não volte ao cor-de-rosa. Pode ajudar incorporar matéria orgânica que favoreça naturalmente um ambiente mais ácido. Pode usar, por exemplo, folhas de árvores de folha caduca e de coníferas, que se vão decompondo no solo e contribuem para a reação desejada.
Outra opção é continuar a regar, de forma regular, com o extrato preparado na meia, mas com bom senso e atendendo ao vigor geral do arbusto. Alguns cultivadores recorrem também a produtos como o alúmen, usado para incentivar a coloração azul, ou a fontes caseiras de acidificação suave, como as borras de café. Ainda assim, é sempre melhor avançar devagar, porque mudanças bruscas no solo raramente fazem bem às plantas.
Os melhores resultados surgem quando a hortênsia está saudável, é regada com regularidade e o solo se mantém, ao longo do tempo, numa faixa mais ácida.
Fonte: Gardener’s World, Epic Gardening, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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