O segredo de uma clematite bonita no jardim é o local certo, a poda e uma multiplicação fácil
A clematite (Clematis) está entre as plantas ornamentais mais agradecidas para o jardim. Oferece uma enorme variedade de formas e cores de flores, desde pequenas flores em forma de estrela até flores grandes e muito vistosas, e ainda sabe aproveitar o espaço vertical: cresce numa pérgola, vedação, obelisco e até num vaso no terraço. Com uma escolha sensata de espécies e cultivares, é possível ter uma longa época de floração, desde o início da primavera até ao outono.
Regra básica para o sucesso: a maioria das clematites quer os ramos ao sol, mas as raízes frescas, protegidas do calor e com humidade uniforme.
Como escolher a clematite certa
Crescimento e tamanho
Antes de mais, defina se procura uma trepadeira ou uma clematite herbácea para o canteiro. As herbáceas formam tufos e atingem, em geral, cerca de 75 a 150 cm; são indicadas para a zona soalheira da bordadura e muitas vezes precisam de um tutor ou de um arbusto vizinho onde se apoiem. As clematites trepadeiras têm um leque muito amplo de vigor: desde variedades compactas para vasos até espécies muito exuberantes, capazes de cobrir uma parede ou subir por uma árvore.
Local de plantação e orientação solar
A maioria das clematites prospera ao sol ou em meia-sombra ligeira, mas em sombra densa a floração tende a ser fraca. Há também cultivares adequadas para paredes menos soalheiras; apenas é preciso contar com um crescimento mais lento e menos flores. As clematites perenifólias e as de floração precoce costumam agradecer um local abrigado de correntes de ar, onde não sejam castigadas pelo vento de inverno e pelas geadas tardias da primavera.
Flores, perfume e época de floração
Nas clematites, tudo depende de quando quer o maior impacto no jardim. Algumas florescem no inverno e na primavera, outras na primeira metade do verão e muitas desde meados do verão até ao outono. As variedades de flor grande podem reflorescer, enquanto muitas clematites botânicas tendem a florir numa única vaga mais marcada. Certos tipos também oferecem aquénios decorativos e infrutescências “felpudas”, muito interessantes mesmo depois da floração.
Plantação passo a passo
Quando plantar
O ideal é plantar na primavera ou do início ao meio do outono, quando o solo está quente e naturalmente húmido, ajudando as raízes a instalarem-se mais depressa. Uma planta em vaso pode ser plantada também no verão, mas terá de assegurar regas regulares. Evite plantar em solo encharcado ou gelado, ou no meio de um período prolongado de seca.
Solo e preparação do local
A clematite é bastante adaptável, mas desenvolve-se melhor em solo mais profundo, fértil, com humidade uniforme e boa drenagem. Em solos argilosos pesados e também em solos demasiado arenosos, incorpore matéria orgânica, como composto bem curtido ou estrume bem decomposto, para melhorar a estrutura e a capacidade de reter água.
A que profundidade plantar e a distância ao suporte
Nos híbridos de flor grande, muitas vezes compensa plantar um pouco mais fundo, para aumentar a probabilidade de rebentar a partir de gemas subterrâneas e recuperar melhor se os ramos forem danificados. Em muitas espécies e em clematites de floração tardia, basta que o torrão fique apenas ligeiramente abaixo do nível do solo. Se plantar junto a uma vedação ou parede, não encoste a planta à base: ali o solo costuma ser mais seco e as raízes sofrem. Deixe um afastamento e conduza os ramos até ao suporte com uma cana ou fios, até que se agarrem por si.

Clematite em vaso
As variedades compactas também podem ser cultivadas em vaso, desde que este tenha volume e profundidade suficientes. É importante que o substrato não seja demasiado leve e de secagem rápida; misturas mais “terrosas” são preferíveis. Mesmo em recipiente, mantém-se a necessidade de raízes mais frescas: uma camada de seixos à superfície ou uma subplantação com plantas baixas, para sombrear o substrato, ajuda bastante.
Cuidados ao longo do ano para uma floração abundante
Rega e manutenção da humidade
As clematites não gostam de passar longos períodos sem água durante a fase de crescimento. Regue as plantas recém-instaladas nos períodos secos durante as primeiras épocas, até estarem bem enraizadas. Em vasos, verifique a humidade com muito mais frequência, porque o espaço radicular é limitado e o substrato seca mais depressa. É melhor regar bem e com menos frequência do que “aos pouquinhos”, para que a água chegue mais fundo às raízes.
Mulch e nutrição
No solo do jardim, muitas vezes basta fazer uma cobertura anual com composto. O mulch ajuda a conservar a humidade, melhora o solo e ainda reduz as infestantes. É importante não encostar o mulch diretamente aos caules, para evitar apodrecimentos. As clematites em vaso costumam agradecer fertilizações durante a primavera e o verão, conforme o adubo escolhido, porque os nutrientes se lixiviam mais rapidamente do substrato.
Atar e conduzir os ramos
Embora a clematite trepadeira consiga agarrar-se sozinha com os pecíolos das folhas, vale a pena ajudá-la para distribuir os ramos de forma uniforme no suporte. Assim terá mais flores e evita-se uma massa embaraçada com a base despida. Ate com folga, idealmente com fio macio, de modo a não roçar nem estrangular o caule.
Poda de clematites sem stress
A poda é a principal causa de insegurança, mas basta saber a época de floração. Em geral, as clematites de floração precoce usam a madeira do ano anterior e podam-se pouco, enquanto as clematites que florescem a partir do verão em diante dão flor nos ramos do ano e toleram uma poda mais forte.
Após a plantação: impulso para um crescimento mais denso
Nas clematites trepadeiras recém-plantadas, ajuda encurtar os ramos perto do solo, para que a planta emita mais caules desde a base e não fique “de uma só haste”. Depois, pode beliscar as pontas jovens para estimular a ramificação.
Poda por grupos de floração
As clematites que florescem no inverno e na primavera, em geral, podam-se apenas ligeiramente após a floração, porque os botões vêm da época anterior. As variedades precoces de flor grande costumam ter duas vagas de floração e exigem uma abordagem mais cuidadosa, para não perder a primeira florada. Já as clematites que florescem a partir do fim de junho e as herbáceas podam-se no fim do inverno, com um corte mais curto; depois rebentam com vigor e dão muitas flores no crescimento novo.

Multiplicação: como obter novas plantas
Estaquia
A forma mais fiável de obter uma “cópia” da sua variedade favorita é fazer estacas de ramos não floridos, ainda tenros a semilenhosos, entre a primavera e o verão. Com humidade do ar mais elevada e temperatura estável, normalmente enraízam em poucas semanas, e as plantas jovens podem ser desenvolvidas até estarem prontas para plantar.
Mergulhia
Para um número menor de plantas, a mergulhia é simples: um ramo longo e flexível fixa-se ao solo em vários pontos, cobre-se com terra e deixa-se enraizar. Depois de formar raízes, as novas partes separam-se da planta-mãe e transplantam-se.
Sementeira
As clematites botânicas também podem ser cultivadas a partir de sementes. É mais lento, mas interessante, porque as plântulas podem variar ligeiramente. As sementes semeiam-se muitas vezes no outono e deixam-se passar pelo frio do inverno; a floração pode só aparecer após alguns anos.
Problemas mais comuns e como preveni-los
A clematite pode ser atacada por pulgões, lesmas e outras pragas, sobretudo nos rebentos novos. No entanto, uma fonte frequente de problemas é o ambiente: a falta de água enfraquece a planta e aumenta a predisposição para doenças; um local demasiado quente pode reduzir a durabilidade das flores; e o vento quebra caules frágeis. Nos híbridos de flor grande, muitos cultivadores temem a murchidão da clematite, em que os ramos escurecem de repente e colapsam; uma plantação mais funda e uma planta em boa condição ajudam a reduzir o risco. Se a planta murchar, verifique também danos mecânicos na base, por exemplo mordeduras de lesmas.
Clematite como investimento a longo prazo no jardim
Quando a clematite pega bem, retribui todos os anos com crescimento vigoroso e floração abundante. A chave está numa escolha ponderada de acordo com o local, numa plantação cuidada com atenção às raízes, numa humidade regular e numa poda no momento certo. Depois, basta conduzir os ramos no suporte para formar uma “parede florida” arejada, que no jardim funciona tanto como elemento de destaque como como fundo delicado para outras plantas.
Fonte: Rhs, Garden Design , Pestrazahrada.cz
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