Quando e como podar a glicínia para florir ao máximo sem destruir a estrutura nem a fachada
A glicínia (Wisteria spp.) está entre as trepadeiras lenhosas mais impressionantes e longevas. Na primavera e no início do verão, forma cachos pendentes de flores azul-arroxeadas, brancas ou cor-de-rosa, com um perfume intenso, capazes de transformar uma pérgola ou um arco numa verdadeira abóbada florida. Ao mesmo tempo, é conhecida por crescer muito depressa, ganhar grande massa e ser implacável com o que a rodeia, incluindo as estruturas. Quem a planta sem um plano pode, passados poucos anos, descobrir que a glicínia “adota” a vedação, a caleira e os arbustos ao lado como se fossem suportes naturais.
A regra mais importante é esta: a glicínia floresce sobretudo em madeira nova. Isto é determinante não só para a quantidade de flores, mas também para o momento certo da poda. Depois da floração, é comum ficarem na planta vagens castanhas semelhantes a feijões, que podem persistir até ao inverno e ter algum valor ornamental.
Segurança e toxicidade
Convém lidar com a glicínia com prudência. Todas as partes da planta contêm substâncias tóxicas que podem causar perturbações digestivas em pessoas e animais e, se ingeridas em maior quantidade, complicações graves. As sementes e as vagens são particularmente arriscadas, porque não parecem muito repelentes e uma criança ou um animal de estimação pode ingerir mais do que é seguro.
Dica prática: Se houver crianças ou cães a circular junto da pérgola, considere remover as vagens à medida que aparecem após a floração e garanta que os restos da poda não ficam ao alcance.
Espécies e escolha da glicínia certa
Nos jardins, cultivam-se sobretudo espécies asiáticas, em especial a glicínia-chinesa (Wisteria sinensis) e a glicínia-japonesa (Wisteria floribunda). Ambas conseguem formar rebentos muito longos e, em boas condições, atingem dimensões consideráveis. Em geral, as glicínias asiáticas tendem a ter um crescimento mais agressivo. Para jardins pequenos, ou para quem não quer “lutar” com a planta, costumam recomendar-se tipos e cultivares mais moderados.
Um sinal prático para as distinguir pode ser a época em que surgem as flores: algumas glicínias florescem antes de estarem totalmente folhadas, outras só depois de brotarem as folhas no final da primavera. Para o jardineiro, porém, muitas vezes é ainda mais importante do que o detalhe botânico saber a origem da planta. Prefira uma planta vigorosa obtida por estaca ou enxertada, porque plantas de semente podem demorar muito até à primeira floração.
Onde colocar a glicínia para ela prosperar
Sol é a base da floração
A glicínia tolera meia-sombra, mas muitas vezes floresce pouco ou não floresce. Para uma floração consistente, precisa do máximo de luz possível, idealmente sol pleno durante grande parte do dia. Se a parte superior da estrutura estiver sombreada, a planta pode produzir longas varas verdes sem flores.
Solo e humidade
Desenvolve-se melhor num solo fértil, húmido mas bem drenado. Em terra de jardim comum, costuma crescer sem problemas; em solos mais pobres, ajuda incorporar composto. Nos primeiros anos após a plantação, é importante não descurar a rega em períodos de seca prolongada; mais tarde, a planta tende a ser relativamente resistente.
Distância da casa e de zonas sensíveis
Os rebentos vigorosos conseguem penetrar em fendas, enrolar-se em tudo e, com o tempo, exercer pressão. Por isso, não se recomenda plantar glicínia encostada à fachada, a caleiras, a revestimentos de madeira ou a vedações frágeis. É preferível dar-lhe espaço e conduzi-la para uma estrutura independente.
O suporte tem mesmo de ser robusto
Um dos erros mais comuns é usar um suporte fraco. Com o tempo, a glicínia lignifica, os troncos engrossam e a planta pode tornar-se muito pesada, sobretudo depois da chuva. A estrutura da pérgola, treliça ou arco deve ser de madeira maciça ou metal e bem ancorada para resistir à tração e ao peso. Também é possível conduzi-la por arames junto a uma parede ou vedação, mas mesmo aí é preciso contar que sistemas de cabos “leves” de jardim podem acabar deformados com o tempo.
Plantação passo a passo
A melhor época é a primavera ou o outono, quando a planta está em repouso. Abra uma cova aproximadamente com a profundidade do torrão e cerca de duas a três vezes mais larga, para dar espaço às raízes. Se plantar mais do que um exemplar, deixe distâncias generosas, porque precisam de espaço e circulação de ar.
Após plantar, regue bem e defina desde logo qual rebento será o principal e por onde o vai conduzir. Quanto mais cedo estabelecer uma “ordem” clara, menos trabalho terá mais tarde.
Cuidados ao longo do ano e adubação
Todas as primaveras, beneficia de uma camada de composto na zona das raízes e de uma cobertura morta que conserve a humidade e reduza as ervas espontâneas. Não exagere na adubação, sobretudo no azoto. O excesso de azoto costuma resultar em muita folha e pouca ou nenhuma flor. Alguns cultivadores estimulam a floração com fósforo, mas mais importante do que produtos “milagrosos” costuma ser a luz e a poda correta.

A poda como segredo para uma floração abundante
Se levar apenas uma coisa deste artigo, que seja esta: sem poda, a glicínia fica muitas vezes lindamente verde, mas com poucas flores. A poda faz-se normalmente em duas fases. No verão, após a floração, encurtam-se os rebentos laterais para formar esporões curtos e floríferos ao longo dos ramos principais. No fim do inverno, esses mesmos laterais encurtam-se ainda mais, geralmente para alguns gomos, o que incentiva a produção de flores na madeira nova.
Numa glicínia demasiado crescida e negligenciada, por vezes é necessário um corte mais drástico e a recuperação progressiva da estrutura principal. É normal que, depois de uma poda forte, a planta emita muitos rebentos longos e vegetativos. Tenha paciência e vá conduzindo-os; se necessário, encurte-os durante o verão para que a energia seja gradualmente direcionada para a floração.
Porque a glicínia não floresce e o que fazer
A razão mais comum é a idade e a origem da planta. Exemplares jovens, especialmente de semente, podem demorar muito a florir. Outras causas frequentes são sombra, demasiado adubo rico em azoto ou poda inadequada. Por vezes, os gomos florais são danificados por geadas tardias e, nesse caso, a floração da época será mais fraca mesmo numa planta bem conduzida.
Conselho prático: Para aumentar as hipóteses de flores, dê à glicínia o máximo de sol, não a “sobrealimente” com azoto e mantenha a poda regular de verão e de inverno. Uma planta saudável e bem conduzida recompensa-o, com o tempo, de forma muito mais fiável do que uma deixada “ao acaso”.
Flor para jarra e pequenos usos no jardim
As inflorescências de glicínia ficam excecionais em jarra. Corte os cachos quando as flores estiverem recém-abertas, encurte o caule com um corte limpo e retire a maior parte das folhas para reduzir a perda de água. Em jarra, costuma durar cerca de uma semana, dependendo da temperatura do ambiente.
Doenças e pragas
A glicínia é, em geral, resistente; ainda assim, podem surgir manchas foliares, secagem de rebentos, viroses ou problemas na zona do colo (base do caule). Entre as pragas, por vezes é afetada por pulgões, cochonilhas e outros insetos sugadores que enfraquecem os rebentos jovens. Boa ventilação, rega equilibrada e poda regular são a melhor prevenção, porque mantêm a planta vigorosa e reduzem a pressão de doenças.
A glicínia é um compromisso para décadas
A glicínia não é uma “decoração rápida para uma só estação”, mas um projeto de longo prazo. Se lhe der o local certo, um suporte sólido e um regime de poda bem definido, pode tornar-se a peça central do jardim por muitos anos. Mas quem a planta sem distância do edifício e sem controlo regular pode descobrir que a mais bela das trepadeiras se transforma facilmente numa conquistadora incansável. Bem conduzida, porém, a glicínia é um dos maiores espetáculos de primavera que um jardim pode oferecer.
Fonte: Almanac, Garden Design , Pestrazahrada.cz
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