Mesmo sem químicos, é possível proteger os morangos das pragas e colher frutos deliciosos
Os morangos estão entre as frutas mais populares nas hortas e jardins, mas também entre as culturas mais frequentemente atacadas. Crescem perto do solo, têm tecidos macios e frutos doces e perfumados que atraem insetos, lesmas e até aves. O problema é que os danos muitas vezes começam de forma discreta: na face inferior das folhas, dentro das flores ou diretamente no solo junto às raízes. Quando notar os primeiros buracos nos frutos ou morangos deformados, parte dos estragos já pode estar feita.
Outra dificuldade é que algumas pragas não prejudicam apenas ao roer. Os pulgões e outros sugadores enfraquecem a planta, pioram a frutificação e podem transmitir viroses. Lesmas e caracóis, por sua vez, abrem caminho a infeções fúngicas, porque a polpa ferida apodrece com facilidade. Proteger os morangos, por isso, não é questão de um “spray milagroso”, mas de prevenção em camadas, inspeção regular e intervenção rápida sem química desnecessária.
Seis das pragas mais comuns do morangueiro
1. Percevejos que deformam os frutos
Nos morangueiros podem aparecer diferentes percevejos que sugam nas flores e nos frutos jovens. O resultado costuma ser morangos duros, deformados e com zonas deprimidas; por vezes há também queda de botões florais. Para quem cultiva, é típico a planta parecer “saudável”, mas a colheita ser de má qualidade.
Ajuda manter o canteiro e a zona envolvente bem limpos, porque as pragas passam o inverno em restos vegetais e infestantes. Muito eficaz é também uma barreira mecânica: uma manta leve de tecido não tecido ou uma cobertura aplicada na fase de botões e floração, que se levanta temporariamente para permitir a polinização. Em plantações pequenas, resulta também sacudir e recolher de manhã cedo, porque o inseto é mais lento com o frio.

2. Lesmas e caracóis: a praga silenciosa da noite
As lesmas adoram humidade, mulching espesso e sombra. Nos morangos, reconhece-se o estrago por buracos irregulares nos frutos, folhas roídas e rastos de muco. Os maiores danos surgem frequentemente durante a noite, sobretudo após chuva ou com regas muito frequentes.
O melhor é combinar várias medidas. Evite manter, por longos períodos, o mulching encharcado encostado ao “coração” da planta e mantenha o espaço sob as folhas bem arejado. Como barreira física, a fita de cobre nas bordas de canteiros elevados ou à volta de vasos costuma funcionar bem, porque o contacto com o cobre desencoraja lesmas e caracóis. Ajuda também a recolha manual ao entardecer e de manhã cedo, e armadilhas simples com cerveja enterradas até ao nível do solo. Se usar terra de diatomáceas, aplique apenas em tempo seco e renove após a chuva; caso contrário, perde eficácia.

3. Otiorrinco e larvas que destroem as raízes
Algumas espécies de gorgulhos, frequentemente designadas por otiorrinco, prejudicam de duas formas. Os adultos fazem os típicos recortes em meia-lua nas margens das folhas, mas o maior perigo são as larvas no solo, que roem as raízes e enfraquecem as touceiras. As plantas murcham mesmo com água suficiente e frutificam pior.
Na prática ecológica, funcionam muito bem os nemátodes benéficos aplicados no solo, que parasitam as larvas. Também é importante alternar o local de cultivo: não deixe os morangueiros muitos anos no mesmo sítio, porque a praga mantém-se no solo. Em canteiros pequenos, pode apanhar os adultos à noite com uma lanterna, quando estão ativos, e durante o dia retirar-lhes abrigos como tábuas e restos vegetais densos.

4. Aves e roedores: quando os morangos começam a ficar vermelhos
Assim que os frutos amadurecem, chega outra “equipa de colheita”. As aves muitas vezes bicam só a ponta; os roedores conseguem levar frutos inteiros e por vezes revolvem o mulching à volta das plantas. O resultado são morangos roídos, frutos em falta e desarrumação no canteiro.
A base é a proteção física atempada. Uma rede fina anti-pássaros esticada sobre o canteiro costuma ser a opção mais fiável, porque não depende de saber se os repelentes “estão a resultar hoje”. Para roedores, ajuda manter a zona em redor do canteiro sem infestantes densas e esconderijos, colher regularmente os frutos demasiado maduros e reduzir o “bufete” no chão. Em alguns jardins, surpreendentemente, uma colheita mais frequente de manhã cedo também resulta, porque o atrativo desaparece antes de os visitantes ganharem confiança.

5. Pulgões e folhas pegajosas cheias de vida
Os pulgões agrupam-se nos rebentos jovens e na face inferior das folhas. As folhas enrolam, a planta enfraquece e aparece melada pegajosa, que atrai formigas. Estas protegem os pulgões porque “aproveitam” a melada, acelerando o problema.
À primeira deteção, ajuda um jato de água para derrubar as colónias. Se os pulgões voltarem, use sabão potássico ou um preparado oleoso suave aplicado fora do período de voo dos polinizadores. A longo prazo, é muito eficaz favorecer inimigos naturais, como joaninhas, crisopas e sirfídeos. Na prática, também convém não “exagerar” no azoto, porque tecidos demasiado macios e de crescimento rápido são os preferidos dos pulgões.

6. Ácaros: quando as folhas ficam salpicadas e secam
Os ácaros são minúsculos e muitas vezes passam despercebidos até surgirem pontinhos claros, aspeto bronzeado e finas teias na face inferior das folhas. Desenvolvem-se bem com calor e baixa humidade, tipicamente no verão ou em túneis e estufas.
A base é inspecionar regularmente a face inferior das folhas e reagir rapidamente. Ajuda dar uma “ducha” às plantas, que perturba as colónias mecanicamente, e melhorar o microclima: menos poeira, melhor circulação de ar e humidade mais estável. Em ataques mais fortes, pode usar preparados oleosos ou de sabão, ou introduzir ácaros predadores se cultiva em estufa e pretende uma solução biológica.
Prevenção geral que quase sempre funciona
Nos morangueiros, vence quem está um passo à frente. Uma planta vigorosa resiste melhor à sucção e ao roer e é menos suscetível a podridões. Mantenha um compasso de plantação arejado para as folhas secarem depressa após a chuva e regue mais ao pé das raízes do que sobre a folhagem. Melhore o solo com composto, porque uma nutrição equilibrada favorece tecidos mais firmes. Não deixe as infestantes prosperarem nas imediações; muitas vezes servem de “ponte” para as pragas chegarem ao morangal.
Igualmente importante é a higiene do cultivo. Vá removendo frutos apodrecidos ou danificados e folhas velhas, que servem de abrigo para lesmas e de refúgio de inverno para muitas espécies. Se cultiva morangueiros por vários anos, considere renovar o canteiro e alternar as áreas, porque parte das pragas permanece no solo e vai-se acumulando.
O hábito mais importante: observar e intervir a tempo
A melhor proteção dos morangos não começa com pulverizações, mas com uma inspeção matinal às folhas, às flores e ao solo à volta das touceiras.
Reserve alguns minutos, algumas vezes por semana, de preferência de manhã. Observe a face inferior das folhas, o “coração” da planta e o solo à volta. Detetar cedo pulgões, as primeiras lesmas ou o início de ácaros significa que muitas vezes basta uma intervenção mecânica e meios suaves. E se algo não estiver a resultar, não hesite em voltar ao básico: limpeza, barreiras, apoio aos organismos úteis e colheita regular. Os morangos recompensam com uma taça cheia de frutos doces.
Dica final: Se tem a sensação de que as pragas “aparecem do nada”, acompanhe o tempo. Depois das chuvas aumenta a pressão de lesmas e caracóis; com seca e calor, disparam os ácaros; e durante a floração é o período mais sensível para pragas que deformam os frutos. Ao antecipar estas ondas, a proteção torna-se muito mais simples.
Fonte: The Grounded Homestead, BHG, Wikipedia, Pestrazahrada.cz
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