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Junho decide a colheita mais do que a maioria imagina

June 3, 2026 · 5 min de leitura · Tomas Rohlena
Junho decide a colheita mais do que a maioria imagina
Horta de legumes / Foto: Depositphotos
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Junho é, no jardim, o mês em que tudo acelera. Os legumes disparam no crescimento, as infestantes recuperam a vantagem da primavera e as primeiras ondas de calor alternam com aguaceiros intensos. É precisamente esta combinação que é traiçoeira: basta desvalorizar a rega, a proteção contra doenças ou a atempada amarração e o problema torna-se difícil de corrigir já no verão. O objetivo dos cuidados de junho não é fazer tudo, mas fazer bem aquilo que tem maior impacto.

Em junho, não compensa improvisar: o que adia hoje, amanhã muitas vezes já está a resolver como prejuízo.

Rega e mulching são a fonte mais comum de erros

O clássico de junho é a rega mal cronometrada. Borrifar as folhas ao sol do meio-dia não refresca a planta, só a sobrecarrega. A água deve ir para as raízes, de preferência cedo de manhã ou ao fim da tarde, quando evapora menos e o solo consegue aproveitar a humidade. Nos hortícolas de fruto, a regularidade é decisiva: alternâncias entre seca e regas “de choque” favorecem o rachamento dos frutos e o stress, deixando as plantas mais vulneráveis a doenças.

Depois de regar, entra uma jogada que em junho se esquece muitas vezes: o mulching. Palha, relva cortada ou folhas finamente trituradas ajudam a manter a humidade do solo, a reduzir infestantes e a estabilizar a temperatura do terreno. Nos morangueiros, além disso, evitam o contacto dos frutos com a lama, reduzindo podridões e mantendo-os limpos. Atenção apenas para não encostar o mulching diretamente ao colo da planta, para não criar condições para apodrecimentos.

Em que deve ter atenção: em tomateiros, pepineiros e curgetes, regue sempre e só junto às raízes. Folhas húmidas no tempo quente de junho são um convite a míldios e manchas foliares.

A horta pede intervenções a tempo, não quando já é tarde

Nos tomateiros, é em junho que se decide se vai ter um arbusto descontrolado ou cestos de frutos. A desbrota regular dos rebentos laterais nas variedades tutoradas mantém a planta arejada e focada na frutificação. Ao mesmo tempo, lembre-se de atar e de verificar as amarrações, porque os caules engrossam depressa e a corda que há uma semana estava folgada pode começar a estrangular.

Já as raízes (como cenouras, salsa de raiz ou beterraba) sofrem muitas vezes porque foram semeadas demasiado densas na primavera. Junho é a altura ideal para desbastar. As plantas precisam de espaço; caso contrário, ficam pequenas, tortas e mais suscetíveis a ataques. Os espaços libertados após colheitas precoces podem ser aproveitados para novas sementeiras, para que o canteiro não fique vazio e não “ofereça” humidade às infestantes.

Não se esqueça: faça qualquer manipulação nos tomateiros com tempo seco, de preferência de manhã. As feridas cicatrizam mais depressa e reduz o risco de infeções.

Infestantes e escarificação: pequenas tarefas que evitam grandes problemas

Em junho, as infestantes crescem com uma força impressionante e roubam água e nutrientes precisamente quando as culturas mais precisam. Quem espera “até haver tempo” muitas vezes descobre que as infestantes já deram semente. Uma sacha superficial e um ligeiro escarificar regulares têm dois efeitos: eliminam a concorrência e, ao mesmo tempo, quebram a crosta do solo, permitindo que a água da rega penetre melhor até às raízes.

Em canteiros com mulching surgem menos infestantes, mas ainda assim vale a pena vigiar bordaduras e caminhos, de onde as sementes regressam facilmente. Em junho, escarificar o solo à volta de arbustos ornamentais também melhora o arejamento das raízes, o que se nota na vitalidade durante o calor do verão.

Em junho, não corte o relvado demasiado curto nem exagere na água

O relvado de junho fica melhor quando é cortado com frequência, mas não demasiado baixo. Um corte muito rente expõe o solo, que aquece e seca rapidamente, resultando em manchas amarelas e um tapete mais fraco. Cortar uma vez por semana costuma ser o mínimo na época normal, mas é preferível manter a altura das lâminas mais alta do que a tentação sugere.

Outro erro comum é “regar a mais” de forma irregular, em pequenas quantidades. É mais vantajoso regar menos vezes, mas em profundidade, para que a água desça e as raízes a sigam. Humedecer apenas a superfície promove enraizamento raso e o relvado lida pior com dias quentes.

Árvores e arbustos de fruto: controlo dos frutinhos e das escoras

Em junho, as fruteiras fazem uma queda natural de frutos, mas nem sempre é suficiente. Em macieiras e pereiras, compensa desbastar à mão frutinhos deformados ou fracos, para a árvore não se esgotar e para os restantes frutos terem hipótese de crescer com qualidade. Ramos sobrecarregados também se podem partir em trovoadas, causando danos que se arrastam por anos.

Em groselheiras, uvas-espim ou framboeseiras, vigie as amarrações e a abertura da planta. Um porte mais arejado seca mais depressa depois da chuva e sofre menos com doenças fúngicas. Se houver precipitação intensa, verifique se a água não arrastou terra junto às raízes e se o mulching não ficou em montes, onde poderia reter humidade em excesso.

Roseiras e perenes precisam de cuidados antes de chegar a trovoada

A parte ornamental do jardim em junho muitas vezes fica para segundo plano face à horta, mas é precisamente agora que vale a pena dedicar mais alguns minutos. Nas roseiras, retire regularmente as flores murchas até ao primeiro conjunto de folhas bem desenvolvido, para estimular novos botões e evitar que a floração termine cedo. Ao mesmo tempo, vigie pulgões e os primeiros sinais de mancha-negra, porque com calor alastram rapidamente.

Perenes altas, como peónias, delfínios ou equináceas, agradecem tutoragem antes que o vento as dobre. Quando uma trovoada as deita, os caules partem e as flores sujam-se; bastam algumas estacas ou um aro colocado a tempo. De vez em quando, escarifique o solo à volta das plantas para que não endureça e as raízes possam “respirar”.

Colha as ervas aromáticas no momento certo e seque-as corretamente

Junho é o mês ideal para colher aromáticas, porque o teor de óleos essenciais costuma ser elevado. Colha numa manhã soalheira, quando o orvalho já secou, mas antes do calor forte do meio-dia. Se quer fazer reservas para o inverno, não espere que as ervas floresçam. Antes da floração, as folhas têm melhor sabor e maior intensidade.

Secar ao sol direto é um erro típico: as ervas desbotam e perdem aroma. O melhor é sombra, um local arejado e uma camada fina. Com endro ou levístico, muitas vezes resulta melhor picar e congelar, porque ao secar perdem o cheiro característico.

Uma verificação rápida de junho que lhe poupa trabalho o verão inteiro

Antes de o mês avançar para o calor típico das férias, percorra o jardim de forma sistemática: verifique amarrações, tutores, o estado do mulching e os locais onde a água fica parada depois da chuva. Observe os primeiros sinais de doença em tomateiros, pepineiros e roseiras e atue logo, não apenas quando metade das plantas já está afetada. Junho é o mês da prevenção: o que mantiver saudável agora, devolve-lhe tempo e colheita no verão.

Fonte: Gardener’s World, RHS, Pestrazahrada.cz

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Tomas Rohlena
Tomas Rohlena

Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.

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