Como cultivar as melhores ervilhas e evitar doenças e pragas
A ervilha está entre as hortícolas mais agradecidas para as primeiras experiências na horta. Dá-se bem na parte mais fresca do ano, normalmente não sofre tantos ataques de pragas como outras culturas e, quando é colhida no momento certo, tem um sabor excecional. As vagens apanhadas na hora costumam ser doces, suculentas e muitas vezes desaparecem antes mesmo de chegarem à cozinha. Este artigo resume todo o processo, desde a escolha do tipo de ervilha, passando pela sementeira e os cuidados, até à colheita e conservação.
Tipos de ervilha e em que diferem
Antes de escolher as sementes, vale a pena saber que tipo de ervilha quer realmente colher. Os diferentes tipos distinguem-se por se a vagem é comestível ou não, pela rapidez com que passam do ponto e por qual a utilização culinária mais prática.
Ervilha para debulhar
Este tipo tem grãos doces no interior, mas a vagem costuma ser mais rija e, em regra, não se come. O momento certo é quando a vagem está cheia, arredondada e bem verde. Se ficar demasiado tempo na planta, os grãos tornam-se farinhentos e perdem doçura.
Ervilha de quebrar tipo snap
Na ervilha snap, come-se a vagem inteira, com as ervilhas dentro. As vagens vão engrossando, ficam crocantes e suculentas. É ótima para salteados rápidos, saladas e para petiscar diretamente na horta.
Ervilha de vagem tipo snow
A ervilha snow também tem vagens comestíveis, mas mantém-se mais achatada. O sabor tende a ser mais delicado e menos doce do que no tipo snap. Colhe-se quando já se notam as primeiras “bolinhas” a formar-se no interior, mas a vagem ainda está maioritariamente plana.
Quando semear ervilhas para um arranque perfeito
A ervilha é uma cultura típica de estação fresca. O ideal é semear o mais cedo possível na primavera, assim que o solo permita ser trabalhado. Quanto mais cedo iniciar o crescimento, melhor aproveita a humidade acumulada no inverno e mais facilmente evita os calores tardios, que podem prejudicar a floração e o enchimento das vagens.
Em zonas com outono ameno, também se pode tentar uma sementeira no final do verão para colheita no outono. Aí, porém, é preciso acertar bem o calendário, para que as plantas consigam crescer e formar vagens com luz suficiente antes da chegada do frio. Se está a começar com ervilhas, a data de primavera é a opção mais segura.
Sementeira passo a passo
Preparação do solo e pH adequado
A ervilha desenvolve-se bem em solo rico em matéria orgânica e bem drenado. A reação ideal do solo situa-se, aproximadamente, entre pH 6,5 e 6,8. Se possível, o melhor é corrigir o pH e melhorar a condição geral do canteiro com antecedência, até já no outono. O composto bem curtido ajuda a melhorar a estrutura e a capacidade de reter humidade.
Uma nota importante é a adubação com azoto. A ervilha consegue obter parte do azoto por si própria e, por isso, normalmente não compensa aplicar fertilizantes muito azotados. A planta pode investir mais em folhas, em detrimento de flores e vagens.
Inoculação da semente e porque faz sentido
Nas ervilhas, é frequente recorrer à inoculação, ou seja, ao tratamento das sementes com bactérias benéficas que favorecem a formação de nódulos nas raízes. Nestes nódulos fixa-se azoto, o que pode resultar em plantas mais vigorosas e melhor produção. Ao mesmo tempo, o solo fica melhor preparado para a cultura que se seguirá às ervilhas no canteiro.
Na prática, é simples. Colocam-se as sementes num recipiente, humedecem-se muito ligeiramente e misturam-se com o inoculante conforme as indicações do fabricante, de modo a que fiquem suavemente revestidas. Não é preciso demolhar; a ideia é apenas fazer o pó aderir à superfície.
Profundidade, espaçamentos e densidade
Compensa semear ervilhas com alguma densidade, porque muitas vezes prosperam melhor em conjunto. As sementes colocam-se, em geral, a cerca de 2,5 a 5 cm de distância, a uma profundidade de aproximadamente 1 a 2,5 cm. Nas variedades mais altas, conduzidas em suporte, deixa-se maior distância entre linhas, para haver espaço para a estrutura e para facilitar a colheita.
Se estiver a cultivar ervilha para debulhar numa área pequena, por exemplo num canteiro elevado, pode semear de forma mais intensiva. Nesse caso, pode trabalhar com maior espaço entre plantas, para facilitar o manuseamento e garantir boa circulação de ar.
Suporte para tipos trepadores
As ervilhas snap e snow costumam ser mais altas e, sem suporte, tombam facilmente para o chão, onde sofrem mais com a humidade, sujam-se e tornam a colheita mais difícil. Por isso, convém instalar uma treliça logo na sementeira ou imediatamente depois, para não danificar as raízes mais tarde. A maioria das variedades baixas de ervilha para debulhar dispensa suporte, ou precisa apenas de uma condução simples.
Rega e cobertura do solo para travar ervas espontâneas
Após a sementeira, é essencial manter o solo uniformemente húmido para garantir uma boa germinação. Quando as plantas pegarem, uma cobertura leve do solo ajuda a reduzir ervas espontâneas e a suavizar as oscilações de humidade. Convém, porém, não exagerar, para não arrefecer desnecessariamente o solo na primavera.
Por vezes recomenda-se demolhar as ervilhas antes da sementeira para germinarem mais depressa. Na prática, não é necessário e, em sementes mais sensíveis, o excesso de água pode até prejudicar. O benefício costuma ser apenas uma ligeira antecipação da germinação.

Pragas e doenças mais comuns na ervilha
Pulgões e como controlá-los sem químicos
A praga mais comum são os pulgões, que se agrupam sobretudo na face inferior das folhas e nos caules. Em muitos casos não causam danos graves, especialmente quando as plantas estão em boa forma. Se os detetar, pode removê-los temporariamente com um jato de água. Não é uma solução definitiva, porque os pulgões muitas vezes regressam, mas ajuda a aliviar a planta.
Muitas vezes, compensa ter paciência. Numa horta com equilíbrio natural, os pulgões acabam por ser caçados pelos seus predadores, sobretudo joaninhas e as suas larvas, e a população reduz-se significativamente por si só.
Oídio e porque a prevenção é a melhor estratégia
A doença mais típica é o oídio, um fungo que parece uma película branca, como farinha. Com ataque forte, as plantas enfraquecem, a produção cai e a cultura termina mais cedo. Quando o oídio se instala a sério, geralmente já é tarde para procurar uma solução milagrosa nessa época. Na prática, o que funciona é sobretudo a prevenção: escolher variedades mais resistentes, garantir boa circulação de ar e evitar um povoamento demasiado denso e com excesso de rega.
Como reconhecer o momento certo da colheita
Ervilha para debulhar
Colha quando a vagem estiver bem cheia, arredondada, firme e de cor verde intensa. Quando começa a perder cor, a afinar e as ervilhas ficam muito marcadas ao toque, normalmente já passou do ponto. Os grãos demasiado maduros ficam mais duros e menos saborosos.
Ervilha snap
Na ervilha snap, observe sobretudo se as ervilhas no interior começam a ganhar volume e a vagem arredonda num formato mais cheio. Não precisa de ficar tão perfeitamente redonda como a ervilha para debulhar; o importante é colher quando a vagem ainda está tenra e doce.
Ervilha snow
A ervilha snow mantém-se plana, mas também aqui se percebe a maturação quando as ervilhas começam a desenhar-se ligeiramente no interior. Colha mais cedo do que no tipo snap, porque, quando as vagens crescem demais, a textura piora rapidamente.
Como colher para a planta continuar a produzir
Pode cortar as vagens com uma tesoura, mesmo abaixo do pedúnculo, o que é mais suave para os rebentos. Outra opção é partir delicadamente o pedúnculo com o polegar e retirar a vagem com a mão. Por vezes, assim também se puxam alguns fios mais rijos, que podem ser desagradáveis ao comer em certas variedades.
Esses fios também podem ser retirados após a colheita. Depende sobretudo do que for mais cómodo para si durante a preparação e do tipo de ervilha que está a cultivar.
Que suporte escolher e a que detalhes estar atento
Para ervilhas mais altas, é prático ter uma estrutura firme, que aguente o peso da vegetação e facilite o acesso na colheita. Resultam bem, por exemplo, painéis metálicos presos a estacas, uma armação com rede fixada ou estruturas simples de varas em forma de pirâmide. O essencial é que os gavinhas tenham onde se agarrar: a malha não deve ser demasiado larga e o material tem de ser estável mesmo com vento.
Conservar a colheita para usar mais tarde
A forma mais simples de preservar sabor e textura costuma ser a congelação. É rápida, prática e adapta-se à maioria das casas. Além disso, também é possível fermentar, secar, liofilizar ou conservar em frascos, sendo que a conservação em frascos é usada sobretudo para a ervilha para debulhar. Cada método dá um resultado diferente, mas, se quer ficar o mais próximo possível do sabor fresco, a congelação é, em geral, a aposta mais segura.
Se prevê uma colheita maior, compensa colher com mais frequência. A apanha regular das vagens estimula nova floração e prolonga o período de produção.
Fonte: Mein schöner Garten, The Seasonal Homestead, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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