Espanhóis cultivam os morangos mais doces graças a uma coisa que misturam no solo
Os morangos estão entre as frutas mais cultivadas no mundo e, nas hortas e jardins, têm um lugar de destaque também por aqui. Pouca gente, porém, se dá conta de quão longa foi a trajetória deste fruto perfumado ao longo da história. Segundo achados arqueológicos, as pessoas já colhiam morangos na pré-história, e é certo também que eram conhecidos pelos antigos romanos. Eles valorizavam-nos não só pelo sabor, como também lhes atribuíram fama de fruta estimulante. Em maior escala, o cultivo de morangos na Europa começou mais tarde, sobretudo no final da Idade Média, quando apareciam em jardins de mosteiros. Hoje já não se trata apenas de tradição, mas principalmente de cuidados corretos, que determinam se os frutos serão aguados ou, pelo contrário, doces e suculentos.
Condições em que os morangos prosperam melhor
A base do sucesso é compreender o que o morangueiro precisa. Desenvolve-se melhor em clima temperado, onde não há calores extremos e o solo não seca em excesso. Em termos de local, é importante que a terra não fique encharcada, porque os morangos não toleram bem permanecer muito tempo com água parada. O ideal é um solo franco, bem drenado e rico em matéria orgânica, capaz de reter humidade, mas também de escoar o excesso de água.
A reação do solo também importa. Os morangos preferem um ambiente ligeiramente ácido, aproximadamente entre pH 5,5 e 6,5. Se o solo for demasiado ácido ou, pelo contrário, estiver fora desse intervalo, a planta pode ter mais dificuldade em absorver alguns nutrientes. Na prática, isso frequentemente leva a que os morangos comecem a acusar falta, por exemplo, de fósforo ou de cálcio, mesmo quando estes estão formalmente presentes na terra.
Nutrientes que decidem o sabor e o tamanho dos frutos
O morangueiro precisa de uma nutrição equilibrada, porque a doçura e a suculência dos frutos não acontecem por acaso. Entre os macronutrientes-chave está o azoto, que apoia o crescimento e a vitalidade da planta, mas em excesso pode empurrar a planta mais para a folhagem do que para os frutos. O fósforo é importante para as raízes, ou seja, para a capacidade de absorver água e nutrientes. Já o potássio ajuda no transporte de açúcares para os frutos e, por isso, é frequentemente associado a melhor sabor e maior teor de açúcar.
Além disso, os morangos beneficiam de cálcio, que reforça as paredes celulares e aumenta a resistência a alguns problemas, de magnésio como parte importante dos processos ligados à fotossíntese, e também de enxofre, que participa na formação de proteínas. Não menos essenciais são os micronutrientes, especialmente ferro, manganês e boro. Embora sejam aplicados em pequenas quantidades, a sua falta pode refletir-se rapidamente no vigor das touceiras e na qualidade da colheita.
Como adubar os morangos para uma colheita farta e doce
Saber quais elementos os morangos precisam, por si só, ainda não significa que vai obter automaticamente frutos excelentes. O que decide é a forma de adubação e o momento. Muitos cultivadores recorrem a adubos prontos, formulados especificamente para morangos, que costumam ser concebidos para fornecer uma proporção equilibrada de nutrientes e ajudar as plantas em diferentes fases de crescimento e frutificação. É uma solução simples, mas o essencial é não exagerar nas doses e seguir as recomendações do fabricante.
Uma inspiração interessante vem também das práticas de Espanha, onde, além das misturas comuns, é frequente trabalhar com nutrição orgânica. Os produtores locais fazem questão de que a base do canteiro já contenha uma componente orgânica de qualidade. Com isso, não se trata apenas de fornecer nutrientes, mas também de melhorar a estrutura do solo, que influencia diretamente as raízes, a gestão da água e a vitalidade geral das plantas.
O método espanhol com composto e estrume bem curtido
Um dos procedimentos mais comuns é colocar, no fundo do canteiro preparado, uma camada de composto. O composto liberta nutrientes de forma gradual, estimula a vida do solo e ajuda a terra a reter humidade sem se transformar num lodo impermeável. Assim, as raízes ficam num ambiente estável e nutritivo, e a planta pode concentrar-se na formação de flores e frutos.
A segunda opção que os espanhóis usam antes da plantação é estrume bovino muito bem curtido. É importante que esteja totalmente decomposto, porque estrume fresco pode danificar as raízes e trazer mais problemas do que benefícios. O melhor é incorporar o estrume no solo com antecedência, misturá-lo bem com a terra e depois regar abundantemente. Isso melhora a estrutura do solo e cria uma base nutritiva da qual os morangos vão usufruir aos poucos, em vez de receberem um “choque” de uma só vez.
Por que a nutrição orgânica muitas vezes funciona melhor do que uma adubação rápida
Os adubos orgânicos têm uma grande vantagem: atuam a longo prazo e melhoram o solo como um todo, não apenas o crescimento imediato da planta. Um canteiro bem preparado com composto ou estrume curtido costuma ficar mais fofo, gere melhor a água e permite que as raízes penetrem com mais facilidade em profundidade. O resultado não é apenas uma produção maior, mas muitas vezes também um sabor mais intenso, porque a planta não é forçada a crescer depressa à custa da qualidade. Se quer, portanto, morangos realmente suculentos e doces, vale a pena inspirar-se na abordagem espanhola e começar pelas raízes, literalmente e em sentido figurado.
Fonte: ISHS, Herogra Especiales, RHS, Pestrazahrada.cz
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