Como pulverizar o pessegueiro para uma colheita saudável e abundante
O pessegueiro sabe recompensar com frutos de sabor excecional, mas ao mesmo tempo está entre as fruteiras mais sensíveis. Para crescer com regularidade, florir bem e permitir que os frutos cheguem a amadurecer, precisa de o máximo de sol possível, idealmente durante todo o dia. O local deve ser quente e protegido de ventos fortes. O solo também é importante, de preferência um franco-arenoso bem drenado, com reação neutra. A árvore não tolera encharcamento prolongado, mas, sem humidade suficiente na fase de crescimento, também sofre. Parte indispensável dos cuidados é a poda regular, que abre a copa, melhora a circulação de ar e ajuda a limitar a disseminação de doenças.
As geadas tardias podem destruir a formação de flores
Um grande risco são as geadas tardias da primavera. Os pessegueiros muitas vezes rebentam e florescem cedo, por isso uma descida breve de temperatura pode danificar as flores e, com isso, toda a colheita futura. Quando houver previsão de arrefecimento mais acentuado perto de 0 °C, compensa ter uma proteção preparada, por exemplo com manta térmica (tecido não tecido). A proteção contra a geada dá mais trabalho, mas nos pessegueiros pode ser decisiva.
Doenças e pragas, sem proteção, tomam rapidamente conta
Além do tempo, é preciso contar com doenças e pragas, porque no pessegueiro podem ser muito agressivas. Um problema típico é a lepra do pessegueiro, que consegue enfraquecer bastante a árvore e arruinar a folhagem. Outra dificuldade frequente é a moniliose (queima monilial), que ataca as flores e, depois, os rebentos jovens, levando ao secamento e, mais tarde, à queda de frutos. Se queremos colher pêssegos de qualidade, a pulverização não deve ser vista como um extra opcional, mas como uma medida preventiva que vale sobretudo quando é feita a tempo.
O timing é decisivo e, na lepra, contam poucos dias
Na maioria dos problemas, uma intervenção tardia já não salva grande coisa. O período mais importante chega na transição do inverno para a primavera, quando o alvo é precisamente a lepra do pessegueiro. O tratamento deve ser feito ainda antes da rebentação dos gomos, numa fase em que já não se esperam geadas fortes. Na prática, isto costuma cair no fim de fevereiro ou no início de março, conforme a evolução do tempo. Assim que os gomos abrem, a eficácia diminui muito, porque o agente da doença já está nos tecidos e uma pulverização apenas de superfície já não resolve.
Os cuidados de maio ajudam a proteger as flores e os futuros frutos
Outro tratamento importante acontece no período da floração. Nessa altura, a proteção foca-se na moniliose e noutros problemas que podem atacar as flores e os frutos jovens, por exemplo a mancha bacteriana ou a deformação/bolhosidade dos frutos. Convém não falhar a intervenção de maio, porque é justamente aí que se decide quantos frutos saudáveis vão, de facto, ficar na árvore. Ao longo da estação, acompanhe a presença de pragas e outras doenças, tipicamente pulgões ou oídio. Se surgirem, é necessário escolher o produto adequado e intervir novamente.

Os erros mais comuns na pulverização e como evitá-los
Cobertura insuficiente de toda a copa
Um erro comum é aplicar à pressa. Para a pulverização fazer sentido, tem de ser tratada a árvore toda, e não apenas alguns ramos de um lado. É preciso atingir a copa de todos os ângulos e não deixar de fora nem os ramos mais grossos nem o tronco. Se ficarem zonas sem tratamento, a doença pode instalar-se nelas e o seu trabalho não terá o efeito esperado.
Escolher mal o tempo reduz a eficácia
Não pulverize com chuva nem mesmo pouco antes de aguaceiros previstos, porque o produto pode ser lavado antes de começar a atuar. O vento mais forte também é um problema: leva parte da calda para fora da árvore e aumenta desnecessariamente a deriva para as áreas à volta. O ideal é tempo calmo e seco, sem rajadas e sem precipitação a aproximar-se.
O intervalo de segurança não é formalidade, é regra para uma colheita segura
Cada produto usado tem um intervalo de segurança definido, ou seja, o período durante o qual os frutos não devem ser consumidos. Isto aplica-se mais frequentemente às intervenções de verão contra pragas ou a doenças mais tardias, quando já há pêssegos em desenvolvimento na árvore. O intervalo de segurança vem indicado na embalagem e deve ser cumprido rigorosamente, para que a colheita seja segura para todos os que a vão comer.
Se não tiver a certeza sobre o produto, o conselho técnico ajuda
Problemas também podem surgir por escolher o produto errado, sobretudo quando o jardineiro não tem a certeza contra o que está a intervir. Nessa situação, é sensato recorrer a uma loja especializada, onde conseguem recomendar o produto certo e o procedimento adequado. Encare isto como prevenção, tal como quando se trata um problema de saúde atempadamente. Uma proteção bem orientada do pessegueiro exige tempo e atenção, mas a recompensa costuma ser uma árvore mais vigorosa e uma colheita doce e de qualidade que, ao cumprir as regras e os intervalos de segurança, não representa um risco desnecessário.
Fonte: Gardening Know How, The Orchard Stephenville, texto do autor, Pestrazahrada.cz
Amante da natureza, do jardim e de tudo o que se move, floresce ou cresce. Cultiva literalmente tudo, de ervas aromáticas a espécies raras, e gosta igualmente de cuidar de animais. No seu trabalho, combina tecnologias modernas com métodos tradicionais testados pelas avós e fica feliz quando ambos os caminhos levam ao mesmo objetivo.
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